No dia 20 de junho de 2016, uma equipe de cientistas espalhados pelo mundo registrou a descoberta daquele que se tornou o planeta mais jovem até então encontrado, com apenas 2 milhões de anos. A novidade é um "bebê", se comparado com a jovem Terra, que tem 4,5 bilhões. O #V830 Tau b, como foi inicialmente batizado, tirou o título do K2-33b, também anunciado este ano, que até então ostentava o título de mais tenro entre os planetas-bebês.

De acordo com a astrofísica Sílvia Alencar, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional de Brasília, a descoberta dá pistas para que cientistas entendam como os planetas se formam e evoluem.

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“Já foram encontrados muitos planetas fora do Sistema Solar, mas, em geral, são mais velhos, já estão em sua idade adulta. O V830 Tau b representa um passo importante para descobrirmos como é que se forma o sistema de estrela com planeta”, explicou, uma das integrantes da bem-sucedida equipe. Conforme simplificou, numa comparação com a idade humana, o novo planeta seria um bebê de uma apenas uma semana tendo a Terra, por exemplo, como um adulto.

O V830 Tau b tem massa próxima à de Júpiter, mas se encontra sete vezes mais próximo de sua estrela (a V830 Tau, na constelação de Touro) do que Mercúrio do Sol, e a 427 anos-luz da Terra. Sua descoberta foi possível a partir de observações usando um telescópio localizado no Havaí, chamado de Canada-France-Hawaii, postado a 4.202 metros de altitude e em operação desde 1979.

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Segundo a astrofísica, por se tratar de um grupo com integrantes espalhados por diversos países, a comunicação se dá basicamente por Skype e por trocas de mensagens e artigos por e-mail.

“A gente tenta se encontrar pelo menos uma vez por ano durante conferências sobre o assunto. Foi assim que nos conhecemos e daí nasceu nossa afinidade. Líamos os artigos uns dos outros e surgiu a ideia de trabalharmos junto. Então montamos um projeto de pesquisa que já dura cerca de dez anos”, exalta a especialista. E questionada sobre quando os seres humanos explorarão in loco estes exoplanetas, Sílvia Alencar é um pouco mais reticente. “Estamos longe de pensar em conquistar outros planetas. Ainda estamos na fase da curiosidade. Mas vamos um pouco com o sonho e também com os pés no chão para podermos fazer as medidas”, afirma. #Planeta-bebê #Astrofísica Sílvia Alencar