O suicídio faz parte das expressões de violência de uma sociedade, devendo ser analisado no contexto das complexas relações sócio-culturais que ocorrem historicamente no âmbito interno dos países e nas suas interrelações globais. Compreendido como um ato deliberadamente executado por uma pessoa com pleno conhecimento de seu desenlace fatal, o suicídio se configura, hoje, como um grave problema de #Saúde pública. Constata-se, entretanto, que as ações do poder público voltadas ao seu enfrentamento, e a efetiva #prevenção são, ainda, incipientes.

Tratado no âmbito da saúde mental, geralmente de forma individualizada, o suicídio é um fenômeno complexo que envolve aspectos físicos, mentais, comportamentais, familiares, ambientais, culturais, religiosos, sociais e econômicos que nos remete a diversos desafios, em especial, às formas de empreender ações preventivas.

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Há aproximadamente um século foram lançados os primeiros programas de prevenção ao suicídio. Hoje, inúmeros países desenvolvem alguma forma de prevenção por meio de serviços como os centros de atenção a crises ou de escuta telefônica, como o Centro de Valorização à Vida (CVV). 

A maioria das propostas preventivas baseia-se na identificação de fatores de risco e de proteção. A presença de um transtorno mental, doenças físicas graves, dolorosas e terminais, isolamento social, situação de vida desfavorável, perdas de entes queridos e encarceramento são considerados importantes fatores de risco.

Quanto aos fatores de proteção, o alojamento seguro e segurança em geral, boa alimentação e períodos adequados de repouso podem reduzir o impacto de fatores, como situações de estresse ou a presença de doenças mentais.

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Em termos individuais, a resiliência emocional, a capacidade para resolver problemas, e certas habilidades sociais podem reduzir o impacto de fatores adversos ambientais ou intrapsíquicos e contrabalançar o peso de certos fatores de risco.

Entre os modelos de estratégias preventivas do suicídio aceitas atualmente, destaca-se o modelo conceitual de prevenção primária de transtornos mentais composto por três tipos de ações preventivas: intervenções universais, dirigidas à população em geral; intervenções seletivas: dirigidas a indivíduos ou subgrupos da população com risco mais elevado (de natureza biológica, psicológica ou social; e intervenções indicadas: dirigidas a indivíduos de alto risco, já com sinais e sintomas precursores da condição que se quer prevenir.

O modelo da abordagem humanística – ecológica proposta pela OMS indica as seguintes estratégias de  prevenção: redução do acesso aos meios e métodos do suicídio; tratamento de pessoas com transtornos mentais; apresentação apropriada de notícias e informações sobre suicídio e as intervenções no ambiente escolar. Recomenda-se considerar cuidadosamente as especificidades ambientais e epidemiológicas da população-alvo e a adequação da metodologia a ser empregada antes de iniciar tais programas. 

A mídia pode desempenhar um importante papel educativo na prevenção do suicídio, não só alertando sobre os #Riscos e sinais precursores, como também, informando sobre locais, agências, serviços e pessoas que podem prestar auxílio a pessoas em situação de risco.

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Independente do valor intrínseco de cada uma das abordagens, a real prevenção do suicídio só poderá ocorrer por meio da combinação de várias intervenções que levem em consideração a realidade local e a articulação de ações terapêuticas e educacionais com ações de saúde pública.