Os primeiros bebês descobertos com microcefalia causada pelo Zika estão agora completando seu primeiro ano de vida. Junto com o primeiro aniversário, vieram também novas complicações que são notadas por familiares e médicos.

As neuropediatras Ana e Vanessa Van Der Linden, foram as primeiras a alertar a sociedade acerca do súbito aumento em casos de microcefalia, logo dando início a pesquisas que foram essenciais para descobrir a causa do surto.

As médicas são mãe e filha que trabalham em diferentes hospitais em Pernambuco. Elas viram o número de casos de bebês com microcefalia saltar de 12 ao ano para mais de 40.

Ana conta que os bebês doentes surgiam um após outro em questão de semanas e ficava claro que não se tratava de algo já conhecido.

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Já a filha, Vanessa, começou uma pesquisa onde isolava as causas conhecidas para microcefalia, mas nenhuma explicava o inesperado aumento no número de casos em um período de tempo tão curto.

A médica especialista em #Medicina fetal, Adriana Melo, coletou amostras do líquido amniótico das mães de bebês com microcefalia em Campina Grande, Paraíba, e enviou para pesquisas no Rio de Janeiro, na esperança de que se encontrasse alguma característica semelhante e presente em todas as amostras, que pudesse explicar a causa da epidemia.

O resultado apontou para o #Zika Vírus, até então desconhecido, como principal fonte.

As doutoras agora têm seus nomes conhecidos mundialmente pelo mérito nas pesquisas sobre microcefalia, mas esse triste episódio ainda não se findou.

A médica Adriana Melo continua suas pesquisas em um laboratório muito simples na Paraíba, onde tudo é doado, faltam equipamentos e não há nenhum tipo de apoio do governo.

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Lá, ela, sua equipe e outros médicos e voluntários contribuem do próprio bolso para realizar exames, colher material para análise e fazer atendimento a bebês com microcefalia. Eles são o único centro oferecendo esse serviço no interior da Paraíba, o segundo estado com maior ocorrência de microcefalia.

Com o passar do tempo, a equipe médica vem acompanhando o desenrolar da doença nos bebês e tem descoberto que ela é mais complicada do que aparentava. Os bebés têm apresentado crise convulsiva, epilepsia, choro contínuo e sem nenhuma causa aparente, além de problemas para se alimentar.

Disfagia, é como tem sido chamado a deficiência que os bebês apresentam para deglutir, pois o alimento que deveria ir para o estômago acaba sendo aspirado e indo para o pulmão.

A dificuldade para engolir é comum em pessoas com problemas neurológicos graves, pois esse é um movimento mecânico controlado pelo tronco cerebral onde é preciso que uma válvula de cartilagem, a epiglote, se feche impedindo que o alimento entre na laringe.

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Geralmente causa desnutrição e desidratação.

Mesmo as crianças que já se alimentavam com mais facilidade, têm regredido e estão sufocando com muita facilidade, o que é um grande risco para recém nascidos.

Foi então descoberto que, mesmo bebês que não nasceram com microcefalia, podem ter muitas outras deficiências neurológicas, em qualquer nível de comprometimento. Os casos mostram uma síndrome congênita derivada da ocorrência do Zika que tem uma amplitude muito maior do que se imaginava.

A dona de casa, Helen Bezerra, mãe de Caio, um bebê que nasceu com uma circunferência normal da cabeça, contou, em uma entrevista ao Jornal Nacional, que seu filho apresenta limitação motora e faz terapia desde as primeiras semanas.

Dentre muitas dificuldades, Helen ainda pode se alegrar em ver que seu filho hoje fez certo progresso e consegue até sentar.

Assim como ela, muitas famílias e médicos continuam persistentes, fazendo tudo ao seu alcance pelas crianças, vítimas de uma vírus que se mostra cada vez mais desconhecido. #sistema de saúde