Há anos, cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) tentam solucionar o enigma dos apagões de três satélites Swarm enviados à órbita da Terra em 2013, para medir o campo magnético invisível do nosso planeta.

Segundo a ESA, os aparelhos perdem o sinal GPS toda vez que passam pelo oceano Atlântico, especialmente nas regiões da América do Sul e da África.

Embora a incógnita ainda não tenha sido solucionada, pesquisadores suspeitam que a causa da perda do sinal de navegação possa ter relação com intensas tempestades na ionosfera terrestre, a 500 quilômetros de altura. As informações são do periódico britânico Daily Mail, edição de terça-feira (4).

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De acordo com a cientista e professora do Centro de Pesquisa Alemão de Geociências, em Potsdam (Alemanha), Claudia Stolle, as chamadas tempestades ionosféricas já são conhecidas pelos pesquisadores.

Entretanto, a influência do fenômeno sobre o funcionamento dos satélites só foi observada recentemente. "Estas tempestades ionosféricas são bem conhecidas, mas, só agora temos sido capazes de mostrar uma ligação direta entre elas e a perda do GPS”, comenta.

Cientistas explicam que os sinais de GPS são fornecidos por 24 satélites que orbitam o planeta a cerca de 20 mil quilômetros (12.550 milhas) acima da nossa superfície.

Esses instrumentos são responsáveis pelo fornecimento de sinais para telefones celulares, aviões, navegação por satélite e diversos outros equipamentos.

Pesquisadores argumentam que é comum os satélites Swarm perderem sinal por vários minutos ao passarem sobre o equador entra os continentes africano e Sul americano (Brasil).

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Portanto, quando o sinal do celular falhar, lembre-se que a culpa pode não ser da operadora, mas sim de uma possível tempestade na ionosfera.

Tempestades devastadoras

Essas tormentas ocorridas na ionosfera em altitudes que variam de 400 a 500 km acima do solo, são diferentes dos habituais relâmpagos a que estamos acostumados, dizem os estudiosos.

Eles ressaltam que devido a elevada altitude em que as tormentas ocorrem, a intensidade da luz solar separa os elétrons dos átomos, criando partículas eletricamente carregadas, chamadas de íons e elétrons livres.

Em resumo, essas nuvens carregadas de elétrons livres criam pequenas ‘bolhas’ em seu interior, onde existem poucos materiais eletricamente carregados, gerando turbulentas tempestades ionosféricas.

Essas ‘bolhas’ no interior das nuvens, explica a professora Claudia Stolle, dispersam ondas eletromagnéticas que atingem os equipamentos que estão a mais de 20 km de distância, inviabilizando o funcionamento dos sinais captados pelos satélites Swarm da ESA.

Stolle acentua que a pesquisa ajudará a melhorar o funcionamento dos sistemas de GPS no futuro. "O GPS tem se tornado uma ferramenta científica muito conveniente para nós, além de ser um instrumento de navegação e posicionamento por satélite", conclui.

Abaixo, veja um vídeo (inglês) explicativo sobre o evento.

#Espaço #Mídia #Curiosidades