Durante o anúncio dos vencedores do Prêmio Nobel de Física de 2016, uma hashtag muito interessante circulou pelo Twitter: #NobelforVeraRubin.

Trata-se de uma astrônoma americana que desempenhou um papel fundamental na descoberta da matéria negra e que não levou o prêmio, apesar da importância de sua pesquisa.

O ocorrido chama a atenção para o fato, no mínimo intrigante, de que a última vez que uma #Mulher levou o Nobel em física, em 1963, foi pela pesquisa de Maria Goeppert-Meyer, dividida com J. Hans D. Jensen e Eugene Wigner. Ainda além, dos 870 prêmios conquistados por pesquisadores individuais de 1901 até 2015, apenas 49 eram mulheres, sendo a grande maioria nas áreas de fisiologia ou medicina, paz e literatura.

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De acordo com os dados coletados pelo US Census Bureau, que pertence ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos (USDC), simplesmente há poucas mulheres nas áreas de matemática, engenharia, ciência e tecnologia. Para alguns especialistas, o ambiente de trabalho e o preconceito de gênero são apontados como os principais fatores para que as mulheres se sintam desencorajadas a progredir nos campos científicos e até mesmo impossibilitadas de ingressar nessas áreas.

Nas palavras de Beth Mitchneck, professora de geografia na #universidade do Arizona, em entrevista concedida ao site The Christian Science Monitor (csmonitor.com), "o que estamos vendo é que ainda há um progresso muito lento e um monte de atrito". A cientista completa dizendo que "as mulheres abandonam o campo num grau mais elevado do que os homens" e que  "posições acadêmicas ou de liderança, elas não estão alcançando".

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Uma publicação feita nesse ano pela revista Science atesta que faculdades de elite masculina são menos propensas a treinar ou empregar estudantes de graduação femininas. O mesmo estudo afirma que o assédio sexual é mais um desafio a ser superado pelas mulheres no meio científico, na medida em que elas necessitam de recomendações de seus superiores, na maioria homens, para conseguir completar suas graduações ou obter uma vaga de emprego.

Partindo do princípio de que não existe nenhuma diferença de competência entre os gêneros, não existe nenhuma outra explicação para esse fenômeno que não seja uma questão sociológica. Nas palavras da doutora Mitchneck, "ainda há essas questões muito significativas que são endêmicas na cultura, não é uma questão de treinar mulheres para que sejam mais parecidas com homens - é uma questão de mudar o ambiente de trabalho para que elas sintam que esse é um lugar onde elas podem prosperar".