Um misterioso amuleto metálico de seis mil anos de idade, fabricado no Paquistão durante o período neolítico (10 a 6 mil anos atrás), foi construído por meio de uma técnica de metalurgia utilizada até hoje pela NASA.

Descoberto na aldeia neolítica de Mehragarh, a peça é o mais antigo exemplo de um método que usa cera para duplicar objetos metálicos.

Conforme informações do periódico britânico Daily Mail, de quarta-feira (16), um recente estudo elaborado por pesquisadores europeus, desvendou a técnica em operação há seis mil anos, depois dos estudiosos usarem fotoluminescência para analisar o artefato.

Segundo os cientistas, o processo consiste em acender uma luz sobre o produto manufaturado - neste caso o amuleto -, para, em seguida, medir a quantidade de luz refletida pelo objeto.

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“Como materiais diferentes refletem diferentes quantidades de luz, isso permitiu aos pesquisadores identificar as matérias exatas usadas para fazer o amuleto”, comenta a jornalista Libby Plummer (Daily Mail).

O trabalho realizado pelos cientistas de um centro europeu especializado em estudos de materiais arqueológicos, situado no síncrotron SOLEIL (acelerador de partículas cíclico), localizado próximo a Paris (França), revela que o amuleto foi desenvolvido a partir de uma única peça metálica.

Após essa observação, cientistas concluíram que a confecção do artefato teve origem através de um processo conhecido como ‘cera perdida’, em uso até hoje pela Agência Espacial Americana (#Nasa).

Pesquisadores explicam que para entender a criação do complexo artefato, tiveram de fazer uso de uma réplica do objeto original utilizando cera, para, na sequência, criar um molde na forma do amuleto.

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O estudo divulgado na revista Nature, mostrou que o artefato foi produzido por meio do derretimento do cobre num molde de argila pré-preparado utilizando a técnica da cera perdida.

Em resumo, após usarem a cera para elaborar o formato do objeto, o cobre derretido é inserido e, depois de algum tempo, o molde é quebrado e o objeto metálico pronto para ser exibido.

Estudiosos acrescentam que durante o processo, o cobre absorve uma pequena quantidade de oxigênio. Esse detalhe, dizem os pesquisadores, explica a detecção de óxido de cobre no interior do amuleto.

Usado até hoje pela NASA

Embora a técnica tenha sido desenvolvida seis mil anos atrás, estudiosos ressaltam que ela ainda é empregada na confecção de ligas de alto desempenho, onde são inseridas em objetos aeroespaciais, aeronáuticos e na biomedicina.

A Agência Espacial Americana também faz uso do método para desenvolver componentes da Estação Espacial Internacional e do jipe-robô Curiosity, em atividade em Marte desde 2012.

Além disso, o processo da ‘cera perdida’ também foi empregado em partes da sonda Messenger, que orbitou Mercúrio entre 2011 e 2015.

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Apesar dos cientistas descobrirem o ‘modus operandi’ utilizado na fabricação do amuleto metálico, não souberam informar detalhes sobre a civilização responsável pelo método vigente até os dias atuais. Isso, ainda continua a ser um grande enigma.

Abaixo, veja um vídeo explicativo sobre a produção do amuleto.

#Inovação #Curiosidades