Uma pesquisa realizada pelo Royal College of Nursing no Reino Unido revelou que profissionais de enfermagem não são adequadamente treinados para atender às demandas de pacientes transgêneros. Segundo o estudo, 87% dos enfermeiros que atenderam diretamente a pacientes trans disseram ter se sentido despreparados.

Esse resultado revela a necessidade de adaptação e evolução dos cursos de enfermagem em relação ao aumento da procura por tratamentos referentes à transição, por parte de pessoas #Transgênero. Em julho deste ano, o jornal The Guardian publicou uma matéria a respeito do grande crescimento da demanda em todas as 14 clínicas especializadas no país nos últimos dez anos, fazendo com que a lista de espera pela primeira consulta chegue a 9 meses no caso de adultos e 4 meses e meio para crianças.

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Ainda assim, apenas um quinto dos mais de 1.200 enfermeiros entrevistados consideraram que os profissionais da área têm qualificações suficientes para lidar com pessoas trans, ao passo que 76% deles disseram sentir falta de um melhor treinamento para tanto.

Segundo o jornal britânico, pessoas transgênero relataram ter se encontrado, com frequência, em situações desagradáveis e, por vezes, claramente discriminatórias em relação a sua condição. As experiências vão desde profissionais se referindo a essas pessoas insistentemente no gênero de nascimento, tratando a condição delas como "uma fase", a médicos clínicos gerais que riem dos pacientes quando estes dizem que desejam transicionar. O preconceito é enfrentado inclusive pelos próprios profissionais transgênero dentro de hospitais e clínicas.

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Atualmente, há um número considerável de guias publicados especificamente para orientar profissionais da área de #Saúde a lidar com pessoas transgênero e esse material está disponível gratuitamente, contudo, tomar a iniciativa para se conscientizar parte de cada indivíduo, não sendo essa uma questão abordada em grande parte dos cursos de formação técnica ou graduação. 

No Brasil, a situação não é muito diferente, sendo o direito à saúde um verdadeiro desafio para pessoas transgênero, apesar de o chamado Processo Transexualizador integrado ao SUS representar uma conquista. Ainda que uma garantia parcial de direitos exista por lei, a dificuldade para que ela exista na prática passa também pela falta de uma formação mais adequada dos profissionais de saúde, fator que vem sendo abordado em diversas pesquisas acadêmicas e ao qual precisamos estar cada vez mais atentos.