Encontrada na Antártida e no fundo do mar, a poeira cósmica - pequenas partículas originadas no início do universo, com 4,6 bilhões de anos -, acaba de ser detectada em telhados de residências de Paris (França), Oslo (Noruega) e Berlim (Alemanha).

Segundo o jornal britânico Daily Mail, de terça-feira (6), para encontrar o lixo espacial remanescente do Big Bang, cientistas analisaram cerca de 300 quilogramas de lama, que estavam em calhas de telhados das três cidades.

Um dos envolvidos na pesquisa, Dr. Matthew Genge, do Departamento de Ciências da Terra e Engenharia do Imperial College London (Inglaterra), revela ter verificado cerca de 500 grãos de poeira cósmica.

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Para isso, acrescenta ter usado magnetismo para separar as partículas das sujeiras comuns. Segundo Genge, a poeira cósmica contém minerais magnéticos.

Ele também salienta que desde os anos 1940, a #Ciência sabe que esse material atravessa a atmosfera da Terra e chega ao nosso planeta.

Porém, Matthew diz que anteriormente, a poeira cósmica era encontrada somente em ambientes de pouca poluição. A recente observação do material estelar nas grandes cidades causou surpresa aos pesquisadores.

Agora, o estudioso avalia que a descoberta das partículas em ambiente urbano, facilitará as pesquisas acadêmicas. "A vantagem óbvia para esta nova abordagem é que é muito mais fácil para [encontrar] a fonte de partículas de poeira cósmica, se elas estão em nossos quintais”, aponta Genge.

Embora o cientista tenha comprovado a existência da partícula nas grandes cidades, ele diz que a ideia de buscar esses elementos em outros locais - além da Antártida e do fundo dos oceanos -, partiu do cientista amador Jon Larsen, da Noruega.

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Larsen foi o responsável por contatar o Imperial College London. No entanto, Matthew Genge confessa que no início estava cético quanto a essa possibilidade.

Ele fala que vários indivíduos já haviam relatado a existência do material nos centros urbanos. Entretanto, acentua que quando as alegações foram analisadas, o resultado era sempre o mesmo: as partículas eram de origem industrial.

Contudo, dessa vez, além de comprovarem a origem estelar da poeira, pesquisadores ainda observaram diferenças estruturais.

Mudança na órbita da Terra

As análises evidenciaram que a poeira cósmica achada nas cidades mede 0,3 milímetros de largura, enquanto as verificadas na Antártida e no fundo dos oceanos - achadas há décadas -, mediam 0,01 milímetros.

No entendimento do Dr. Genge, a diferença estrutural pode ter relação com as mudanças na órbita da Terra e de Marte, ao longo de milhões de anos.

As perturbações gravitacionais resultantes podem ter influenciado a trajetória das partículas, que foram arremessadas pelo espaço, acredita o cientista.

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O pesquisador argumenta que a descoberta é importante para que eles possam reconstruir a história geológica do sistema solar. “Então, precisamos entender como este pó é mudado pela força contínua dos planetas”, fala.

Publicado na revista Geology, o estudo mostra que a poeira cósmica das cidades deve ter entrado na atmosfera terrestre a cerca de 12 quilômetros por segundo.

Ao que parece, partes do universo, literalmente, desabam sobre nossas cabeças. #Inovação #Curiosidades