De acordo com o site Sci News, cientistas encontraram evidências de que o planeta conhecido pela sigla HAT-P-7b possui um clima que é afetado por mudanças constantes de larga escala, apresentando ventos extremamente fortes e tempestades catastróficas. Esta é a primeira detecção direta de mudança de clima em um mundo fora do Sistema Solar.

Não bastasse toda a violência meteorológica, pesquisadores identificaram outro fenômeno muito estranho: as nuvens deste mundo – que está localizado a 1.044 anos-luz de distância da Terra, na constelação de Cisne – são compostas de um mineral chamado coríndon (ou corundum), que é a substância responsável pela formação de rubis e safiras.

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Ou seja, em HAT-P-7b, quando acontece o resfriamento do material que compõe as nuvens, ao invés de neve ou água, chovem pedras preciosas.

Além disso, HAT-P-7b é um mundo que tem cerca de 500 vezes o tamanho da Terra, e é 40% maior que Júpiter. Adicionalmente, este exoplaneta está sob influência do fenômeno conhecido como "trava gravitacional", o que significa que uma de suas faces está sempre voltada para a sua estrela hospedeira, assim como acontece com a nossa Lua em relação à Terra. No caso de HAT-P-7b, isso faz com que a temperatura do lado diurno chegue a incríveis 2.587 graus Celsius.

Clima dinâmico

HAT-P-7b já era conhecido pelos cientistas desde 2008, quando foi descoberto por uma equipe de astrônomos japoneses liderados por Norio Narita, do National Astronomical Observatory of Japan (NAOJ, ou Observatório Astronômico Nacional do Japão).

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No entanto, somente em um estudo recente, liderado pelo astrofísico Dr. David Armstrong, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, é que foi possível determinar que este planeta apresenta um clima tão dinâmico.

Para chegar a essa conclusão, Armstrong e seus colegas utilizaram o Telescópio Espacial Kepler, da NASA, e enquanto HAT-P-7b orbitava sua estrela hospedeira, os cientistas monitoraram variações na intensidade do brilho refletido pela sua atmosfera.

Segundo o Sci News, isso é conhecido como "curva de fase do planeta", e as variações de luminosidade são causadas quando o lado onde é dia no exoplaneta entra e sai da do campo de visão do telescópio Kepler.

Em um artigo publicado pela Nature Astronomy, Armstrong revelou que a análise dos dados obtidos indicou que o clima de HAT-P-7b muda constantemente com o tempo, e dependendo do momento da observação, os pontos mais brilhantes da atmosfera alternavam entre os lados onde eram manhã ou tarde no planeta.

Os cientistas acreditam que essa mudança seja causada pelos ventos intensos que alternam drasticamente de velocidade e movimentam as nuvens de HAT-P-7b, que são formadas no lado noturno e levadas para o lado diurno do exoplaneta. #Ciência #Curiosidades