O Diário Oficial acaba de publicar nesta segunda, 16, o registro do primeiro remédio à base da Cannabis Sativa (#maconha) no Brasil, com aprovação da #Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Trata-se do #Medicamento Mevatyl, indicado para rigidez muscular característica dos portadores de "EM", esclerose múltipla.

Apenas maiores de 18 anos poderão ter acesso ao medicamento sob rígido esquema de controle de receituário. O medicamento que vem da maconha tem dois princípios extraídos da planta: o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD).

O Mevatyl chama-se Saitivex em outros países e é fabricado pela britânica de medicamentos GW Pharma Limited em sua indústria no Brasil.

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Os direitos do medicamento serão repassados a Beaufour Ipsen Farmacêutica Ltda, sua detentora. O remédio terá tarja preta. O medicamento, que já é aprovado em outros 28 países como Estados Unidos, Canadá e Israel, só poderá ser prescrito a pacientes que não mais respondem a tratamentos com outros medicamentos.

A Epilepsia não poderá ser tratada com o medicamento devido a presença do THC, que pode agravar o quadro epilético. A Anvisa justifica que só liberou o medicamento após rigorosos testes em outros países e no Brasil.

Maconha é remédio?

Psiquiatras alertam que princípios ativos da maconha podem servir para sintetizar remédios, mas a folha da Cannabis em si não é remédio. Para a presidente da Associação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal, Margarete Brito, esse é um avanço importante no uso medicinal da erva e uma quebra de paradigmas no Brasil.

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Maconha terá seu consumo liberado no país?

O marco regulatório imposto pela Anvisa na data de hoje é um avanço no sentido de que para uso medicinal a erva tenha sua aplicação. Entretanto, para utilização recreativa há outros aspectos regulatórios, como a questão do plantio, impostos, cadeia de vendas e política de restrição de uso, que envolveriam aspectos além da alçada da Anvisa. Esta seria apenas incumbida de analisar o impacto sobre a saúde pública do uso.

Qual o efeito da maconha em medicamento? Pode viciar?

Recentemente, o IG entrevistou Elisaldo Carlini, especialista da Unifesp em Cannabis, e quando perguntado sobre quais seriam os efeitos da maconha para uso medicinal, ele afirmou que as chances de viciar são pequenas e que os benefícios são muito maiores que os riscos ou efeitos colaterais que são praticamente ignorados. Ela pode combater náusea e vômito de pacientes com câncer, por exemplo, e pode aliviar as dores em pacientes com esclerose.