Ao nascer, o bebê será identificado pelo obstetra como "menino" ou "menina". Mas e quando não é possível saber? Embora livros escolares de #Ciência não falem sobre isso, a ocorrência de casos em que se instala a incerteza é frequente. Em termos gerais, 1 em cada 100 indivíduos nasce sem estar dentro do padrão anatômico feminino ou masculino. Se considerarmos a configuração genética (XX ou XY), há uma estimativa de que 1 em cada 2.000 pessoas nasce fora desse espectro - isso mesmo, elas não são nem "XX", nem "XY".

Para além da questão dos genes, usa-se o termo "#Intersexo" para se referir a qualquer pessoa que apresente características biofisiológicas que não permitem que ela seja designada inteiramente como homem ou mulher.

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Na maior parte dos casos, ser intersexo não afeta em nada a saúde do indivíduo e nem mesmo se encara como um problema médico, contudo, essas pessoas sofrem por conta do estigma de não estarem dentro dos padrões socialmente estabelecidos.

Assim, muitos dos bebês intersexo passam por cirurgia quando ainda são recém-nascidos, ou passam por tratamento com hormonização ainda na infância, por opção dos próprios pais, e, por vezes, não tomam conhecimento de sua condição. O problema é que, não raro, essa decisão é feita com base na aparência dos genitais da criança, sem levar em consideração como isso pode afetar o desenvolvimento sexual da pessoa, havendo muitos casos em que os tratamentos resultam em esterilização involuntária (e desnecessária).

O fato de poucas pessoas saberem da existência dessa condição mostra a dificuldade em aceitar perspectivas fora dos binarismos, que organizam pensamento social.

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A redução do sexo a apenas dois polos é uma construção social que guarda uma relação apenas limitada com o que se poderia considerar como natural - ou seja, que ocorre na natureza.

Se, nem mesmo a biologia restringe o sexo a "macho" e "fêmea", não há porque se apegar a duas únicas expressões de gênero como válidas, negando a legitimidade de outras identidades.