Nos rios, nas cozinhas, e agora nos hospitais. A Tilápia é um peixe de água doce, bastante comum no Brasil, que está sendo utilizada em Fortaleza como parte do #Tratamento de queimaduras. O estudo foi realizado na Universidade Federal do Ceará, reunindo pesquisadores deste estado e também de Pernambuco e Goiás. Os primeiros testes, feitos em camundongos, tiveram bons resultados; agora a pesquisa está em seu momento principal, o uso em humanos.

O começo dos testes em humanos

Os testes clínicos começaram em julho de 2016, no Núcleo de Queimados do Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza. Atualmente 58 pessoas são voluntárias, mas o plano é atender 100 pessoas. Dos primeiros 30 pacientes a utilizar o curativo feito com a pele de Tilápia, 23 já concluíram o tratamento, que de acordo com os pesquisadores foi menos doloroso e gerou menos custos para o hospital.

João Neto, Chefe do Núcleo de Queimados, garante que dará aos pacientes um tratamento humanizado, reduzindo sua permanência na unidade de queimados, retornando rapidamente para o convívio com sua família. Maria Inez Cândido, uma das pacientes, conta que depois de receber o curativo não sentiu mais dor e, a recuperação é muito rápida. Os criadores afirmam que este tratamento está sendo usado pela primeira vez no mundo, ou seja, mais um avanço na medicina.

Como a pele da Tilápia está auxiliando no tratamento de pessoas com queimaduras?

O cirurgião plástico Edmar Maciel, coordenador da pesquisa e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado, explica que "A quantidade de colágeno tipo 1, que é importantíssimo para a cicatrização, além de estar em boa quantidade, é melhor alinhado, é melhor organizado do que na pele humana", além de evitar contaminação e perda de líquidos, ainda reduz as trocas de curativos, tornando o processo menos doloroso.

Em 2017, os pesquisadores querem aumentar o alcance da pesquisa tornando-a multicêntrica, expandindo para São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Goiânia e Pernambuco; depois disso, será realizado um estudo fora do Brasil. A pesquisa é realizada em parceria com o Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (UFC) e é financiada pela Enel (multinacional do setor de energia); seu fim está previsto para julho de 2018, mas ainda não há previsão de quando este tratamento deverá começar a ser utilizado nos hospitais, tanto públicos quanto privados. #queimaduras #Medicina