Em uma matéria bombástica, o site britânico Daily Mail afirmou que recebeu provas irrefutáveis de que a NOAA (National Oceanic & Atmospheric Administration, ou Administração Oceânica e Atmosférica Nacional), organização dos Estados Unidos que estuda o clima, emitiu um relatório sobre o aquecimento global baseado em dados enganosos e não confirmados com o intuito de causar o maior impacto possível em líderes mundiais que fizeram parte da conferência climática da ONU ocorrida em Paris no ano de 2015.

As evidências do embuste foram reveladas pelo Dr. John J. Bates, cientista aposentado da própria NOAA. Segundo ele, o relatório que iludiu os governantes nunca passou pelo rigoroso processo de avaliação interna da organização americana de estudos climáticos, sendo publicado com informações errôneas.

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O relatório em questão, intitulado Pausebuster (algo como "Caçador da Pausa" em tradução livre) e publicado em 2015 pela revista Science, afirmava que a chamada pausa no aquecimento global, que envolvia a constatação de que as temperaturas globais haviam parado de subir acima da média entre os anos de 1998 e 2013 (época em que cientistas da ONU divulgaram essa informação) nunca tinha ocorrido, e alegou ainda que as temperaturas ao redor do planeta estavam aumentando mais rapidamente do que o esperado.

Relatório repleto de falhas

De acordo com as informações que o Dr. Bates passou para o Daily Mail, o relatório Pausebuster foi baseado em dois conjuntos de dados que apresentaram falhas, e que envolviam medições de temperatura na superfície da Terra e na superfície dos mares.

No caso das medições em terra, os resultados obtidos foram afetados por "bugs devastadores" no software de compilação dos dados, o que produziu descobertas "instáveis".

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As medições em mares também apresentaram informações não confiáveis, que exageraram a velocidade de aquecimento – tanto isso é fato que a NOAA pretende revisar e substituir os dados oceânicos obtidos, que mostrarão temperaturas mais baixas e uma taxa mais lenta na recente tendência de aquecimento.

Segundo Bates, a NOAA violou suas próprias regras de integridade científica ao divulgar o relatório falho. O cientista afirmou que, atualmente, não existe sequer uma versão final devidamente aprovada das informações divulgadas, e que nenhum dos dados usados para produzir o Pausebuster foi arquivado – condição obrigatória para que outros cientistas possam verificar se o software e os dados brutos usados pela NOAA são de fato confiáveis.

Bates disse ao Daily Mail :

"Precisa haver uma mudança fundamental na forma como a NOAA lida com os dados, para que as pessoas possam verificar e validar os resultados científicos. Espero que este seja um alerta para a comunidade de ciências climáticas – um sinal de que temos de pôr em prática processos para garantir que este tipo de porcaria não volte a acontecer".

O cientista – que resolveu fazer a denúncia após ver artigos no Washington Post e na revista Forbes alegando que cientistas temiam que a administração Trump falharia em manter e preservar os registros climáticos da NOAA – declarou ainda que não se importa se as modificações nos dados levem a um aumento ou diminuição das temperaturas registradas, e que o fator principal é que "as observações falem por si mesmas", sempre velando pelos padrões éticos.

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#Natureza #Mudança do Clima