Dormir é bom, é de graça e todo mundo gosta. Porém, os resultados de uma pesquisa realizada pela Universidade de Boston e divulgada pela revista "Neurology" esta semana, gerou controvérsias e polêmicas quanto ao fato de dormir um pouquinho mais.

A conclusão dos pesquisadores se deu através dos dados obtidos pelo Instituto Nacional do Coração dos Estados Unidos. O resultado foi gerado por meio de estudos de um painel de pesquisas do Framingham Heart Study, de Massachusetts, responsável pela coleta de dados médicos de milhares de pessoas há mais de 60 anos.

A pesquisa em questão, realizada com voluntários que indicavam qual o tempo de #Sono a cada noite (pelo período de 10 anos), revelou ao final do estudo a possibilidade de um indivíduo que dorme mais de nove horas por dia desenvolver a demência ao longo do tempo.

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O que é a demência?

É uma #Doença mental caracterizada por:

  • Alterações de memória;
  • Confusão em relação ao tempo e ao espaço;
  • Perda de raciocínio, de concentração e aprendizado;
  • Dificuldade na realização de tarefas complexas;
  • Dificuldade com a linguagem e comprometimento das habilidades visuais-espaciais;
  • Mudanças no comportamento ou na personalidade (sintomas neuropsiquiátricos).

Muitas doenças podem causar um quadro de demência, sendo o Alzheimer a mais frequente.

Segundo a Organização Mundial da #Saúde (OMS), a demência atinge atualmente 47,5 milhões de pessoas, e novos 7,7 milhões de casos surgem anualmente. Estima-se que o mal de Alzheimer cause de 60% a 70% dos casos de demência.

Falta de sono x degeneração no cérebro

Segundo os pesquisadores, o sono prolongado não seria a causa da doença, mas sim um sintoma de degeneração no cérebro.

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Portanto, a tentativa de inibir o sono não evitaria a demência.

Foi observado que os níveis de escolaridade dos participantes também influenciaram a doença. Isso porque, os indivíduos que não tinham concluído o ensino médio, apresentaram seis vezes mais o risco de desenvolverem a demência, de acordo com a pesquisa.

Problemas emocionais e alimentação

Cícero Galli Coimbra, que é neurologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), defende que a degeneração neurológica está associada a vários fatores. De acordo com Cícero, o sono é vital para o sistema nervoso e pode eventualmente sofrer alterações por motivos que vão desde problemas emocionais, até falta de vitaminas D e magnésio, por exemplo.

Na opinião da Dra. Andrea Bacelar, vice-presidente da Associação Brasileira do Sono, é importante tomar cuidado ao afirmar que mais de nove horas sono pode indicar demência. Para a especialista, cada indivíduo tem necessidades diferentes de descanso e a qualidade do sono é importante para fixar o aprendizado.

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A profissional apenas orienta que as pessoas observem mudanças repentinas, tais como:

  • Passar a dormir mais horas do que era de costume;
  • Se ao dormir nove horas ou mais, a pessoa se sentir disposta ou mais cansada.

A partir dessa constatação é possível verificar alguma anormalidade nas atividades mentais, como por exemplo: falta de oxigênio nos neurônios.

Mas vale lembrar que as pessoas que adiam o sono ou dormem menos de seis horas também estão expostas a problemas de saúde.