Quem diria que uma prática tão comum e popular como a de tirar #Selfie poderia evoluir para uma doença. Com o avanço dos smartphones com câmera, hoje é praticamente impossível encontrar alguém que more na cidade e nunca tenha tirado uma.

Entretanto, o hábito pode ocasionar um transtorno chamado selficídio. Quem é acometido do transtorno pode perder horas para achar a melhor foto, às vezes nunca encontra, o que gera frustração e ansiedade.

A jovem da foto é a publicitária Solange Cassanelli, de 34 anos, de Florianópolis (SC). Ela conta que nunca gostou de fotos, chegou a fazer terapia, pois se achava feia. Com o advento da selfie, conta que se maquiava em excesso, tirava mais de 100 selfies para encontrar uma perfeita e ainda usava recursos de edição para corrigir imperfeições.

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Aos 27, quando se deparou com uma reportagem sobre o transtorno dismórfico corporal, se identificou e levantou a hipótese de estar sofrendo da doença e procurou a sua psicoterapeuta. A profissional fez o diagnóstico confirmando o caso e a encaminhou a um psiquiatra.

Para o diagnóstico, a terapeuta pediu que Solange editasse uma foto pessoal da forma que ela se via. A publicitária reproduziu a foto que está do lado direito na imagem principal do artigo. Além disso, foi descoberto um princípio de depressão, que levou Solange a fazer uso de medicamentos antidepressivos.

Atualmente, ela escreve um blog para ajudar pessoas que tem a mesma doença e se diz curada.

Defeitos que não existem

A psiquiatra Maura Kale, da rede Doctoralia, que disse confirmou o termo #selficídio como um neologismo para retratar o TDC (transtorno dismórfico corporal), transtorno psíquico que afeta a forma como as pessoas se enxergam.

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A médica afirma ainda que, em casos extremos, a pessoa se mutila para chegar a uma imagem que considera melhor, o que jamais ocorre.

Outras doenças

O selficídio precisa ser investigado e tratado, pois pode estar associado a outros transtornos como o TOC (transtorno obsessivo compulsivo), à depressão e as consequências podem ser graves, como mutilação e até o suicídio.

A psiquiatra explica que o selficida tem baixa autoestima, emocional frágil, é vulnerável a críticas e baixo convívio social. A doença, apesar de ter tomado contornos modernos, com o advento da selfie, é conhecida há vários anos pela psiquiatria. Inclusive, a doença não escolhe idade para surgir e, como no caso de Solange, pode surgir na infância.

Gostar de selfies não caracteriza estar doente

Maura Kale faz questão de dizer que pessoas como Kim Kardashian, que adora tirar selfie e está sempre procurando a melhor pose, nem sempre sofre de selficídio. Muitas pessoas usam o recurso para lazer, diversão ou até como meio profissional e buscam apenas um melhor ângulo.

O transtorno é muito mais profundo, pois leva a uma angústia e ansiedade com o resultado final. Esse sim deve ser estudado para fins médicos.

Vejam o vídeo com pessoas que gostam de brincar com a selfie:

#TOC