No ano de 1884, um pesquisador inglês, de nome Joseph W. Swan, fazia experiências procurando um material que prestasse para produção de filamentos para lâmpada incandescente. Tentando vários materiais e ligas, a certa altura, Swan dissolveu um pouco de algodão (nitrocelulose) em vinagre, obtendo um produto pastoso. Forçou a passagem dessa pasta para transformá-la em fios, que se solidificavam em um tanque com álcool.

Acidentalmente, Swan havia conseguido algo sonhado pelo cientista irlandês Robert Hooke, que em 1664 escrevera: “Há que descobrir a maneira de fazer uma composição glutinosa artificial, muito parecida, se não tão boa, talvez melhor que esse excremento qualquer outra substância de que se possa fazê-lo, do qual o bicho-da-seda retira o novelo por ele fabricado”.

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O inglês Swan, com sua experiência, não chegara ao filamento para lâmpadas que procurava, mas havia criado o primeiro fio artificial. Mas ele se perguntava do que o bicho-da-seda retira o novelo por ele fabricado. Do outro lado do Canal da Mancha, pela mesma época, uma moléstia desconhecida atacava as criações de bicho-da-seda.

Um nobre francês discípulo de Pasteur, Conde Hilaire Bernigauud de Chardonnet, incumbiu-se de investigar a #Doença para salvar a sericultura francesa. O contato com as larvas de Bombyx Mori (bicho-da-seda) inspirou o Conde Hilaire Bernigaud de Chardonnet a um processo – semelhante ao de Swan – capaz de produzir um fio de características muito próximas às da seda natural.

Dotado de espírito mais prático do que o pesquisador inglês, Chardonnet que patenteou o processo e instalou uma fábrica para produção de tecidos, que foram denominados rayon.

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Isso ocorreu em 1901. O novo tecido começou a ser usado, então, pelos modistas franceses em quantidade muito parcimoniosa.

Imitação do bicho-da-seda

Depois da descoberta de Chardonnet, muitos outros processos foram criados para a transformação da celulose em fibra artificial. A celulose, nesse caso, é obtida de lenho de várias madeiras, e também das fibras curtas de algodão que sobram depois de retiradas as outras, que prestam para fiação.

Depois de mais algumas operações, o produto resultante é dissolvido em soda cáustica. Adquire, então, aspecto pastoso, de cor marrom-clara. De certa forma, essa é a “composição glutinosa artificial” que o cientista Hooke procurava no século XVII, equivalente ao fluído pegajoso que o bicho-da-seda excreta para formar seu fio.

Pronta a solução de viscose, resta o trabalho de transformá-la em fios. A pasta é colocada em um recipiente que tem uma peça igual à de um regador, porém com orifícios muito menores. Sob pressão, a viscose atravessa os pequenos orifícios, formando filamentos muito finos que não se solidificam em contato com o ar, como no caso dos bichos-da-seda.

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Outro processo semelhante é o que produz a chamada seda acetato. Se a celulose for tratada com ácido acético, dela se obterá uma substância que recebe o nome de acetato de celulose, a qual se dissolve em acetona.

Depois de passar pela fieira, a acetona se evapora, deixando os filamentos sólidos. Apesar de toda elaboração, o rayon é um produto artificial, mas não é sintético, porque a matéria básica, a celulose, não sofreu nenhuma transformação real. Essa conquista não chegou a satisfazer os químicos, que continuaram procurando a forma de produzir fibras inteiramente artificiais.

Foi em 1939, finalmente, a empresa E.I. Du Pont de Nemours começou a fabricar, em escala comercial, uma fibra sintética obtida a partir de carvão, gás natural, petróleo, ar e água. Esse produto tomou conta do mundo sob o nome nylon. O descobridor do processo foi o químico Wallace Hume Carothers. O enorme desenvolvimento da investigação química, na época, determinou o surgimento da indústria dos plásticos e das fibras sintéticas. #Dinheiro #2017