A Operação #Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira (17) deixou muitos consumidores de carne e embutidos desesperados. A polícia investiga grandes empresas reesposáveis pelo fornecimento nacional e internacional de carne que estariam adulterando os produtos com componentes químicos, além de pagamento de propina repassada para funcionários e fiscais.

Diante disso, diversos boatos surgiram na internet e causou revolta na população que, por sua vez, exige maiores explicações das empresas. A BBC #Brasil conversou com especialistas em carnes e engenheiros de alimentos para esclarecer as dúvidas da população sobre o que pode e o que não pode ser usado no processamento de carne e como a população deve agir diante das investigações da Polícia Federal.

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Segundo os especialistas, a forma como foi divulgada a operação acabou causando uma desconfiança exagerada diante da carne produzida no Brasil. Para a engenheira de alimentos Carmen Castillo, da USP (Universidade de São Paulo), não há problemas em usar os ingredientes citados na divulgação da investigação se os níveis permitidos forem respeitados. Listamos abaixo as dúvidas mais frequentes dos consumidores.

Exagero

De acordo com o delegado responsável pela investigação, Maurício Moscardi Grillo, foram encontradas nos frigoríficos carnes vencidas prontas para mudar a data de vencimento e algumas que até seriam usadas para a fabricação de embutidos, como salsicha e linguiça. Algumas das empresas investigadas usavam água em frangos para adulterar o peso e ácido ascórbico para mascarar a deterioração das carnes.

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Os especialistas ouvidos pela BBC defenderam a operação e disseram que as empresas devem ser investigadas por todos os crimes cometidos, mas que o uso do ácido em carnes é comum em vários países. Nesse caso, a polícia deve ficar atenta aos níveis utilizados pelas empresas brasileiras.

Papelão

Em uma das ligações grampeadas pela PF, um funcionário de uma das empresas citou o uso de papelão na área de preparo das carnes para produção de salsichas. Segundo os especialistas, é impossível que eles tenham usado papelão na fabricação dos alimentos sem que tivessem sido descobertos pelos fiscais.

Para eles, ouve um grande mal entendido na interpretação do áudio e o material é usado apenas para embalar os produtos, não para misturar nos alimentos.

Água no frango

O engenheiro de alimentos Pedro Felício afirmou que injetar água no frango para adulterar seu peso é um problema que o Brasil enfrenta há anos. Segundo ele, este ato não apresenta perigo para a saúde humana, mas deve ser investigada para ser combatida, pois representa uma fraude econômica.

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Cabeça de porco ou boi

O uso de cabeça de porco ou boi para produzir embutidos é proibido no país, mas também não oferece risco à saúde da população. De acordo com Felício, o uso deste tipo de carne inferioriza a qualidade dos produtos, mas é muito utilizado em outros países em que não é proibido usá-la.

Preocupação

O empresário Sylvio Lazzarini disse que todas as irregularidades encontradas pela PF devem ser investigadas e afirmou que a qualidade das carnes produzidas no Brasil evoluiu muito nos últimos anos o que torna seu consumo seguro. Para ele, é importante lembrar que a investigação não representa a totalidade de produtos fabricados no Brasil. #carne podre