Todos nós utilizamos dos mesmos recursos para acompanhar as horas, os dias e os anos. O relógio e o calendário são mecanismos que medem, mas também dão o ritmo daquilo que se convencionou chamar de #Tempo.

O tempo a que me refiro é aquele que permeia e organiza as relações cotidianas e a nossa vida produtiva. Este tempo não deixa muita margem para interpretações, como poderia haver no âmbito da física contemporânea, que não é o objetivo deste artigo.

Por outro lado, a percepção da passagem do tempo, esta sim, pode ser passível de distorções e variar de pessoa para pessoa (e, de fato, varia muito) de acordo com uma séria de fatores.

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David Eagleman, neurocientista estudioso do assunto, em um artigo chamado “Brain Time”, publicado no livro “What's Next? Dispatches on the Future of Science” (“O que Vem a Seguir? Destinos do Futuro da Ciência”, em tradução livre), defende que o tempo já é compreendido como uma construção cerebral e que, assim como acontece com nossos sentidos, pode sofrer distorções.

Segundo ele, quando examinado de perto, o que denominamos tempo não é o fenômeno unitário que supomos ser. As distorções e ilusões inerentes são consequência direta de como o cérebro constrói a representação do tempo.

A influência da idade

A idade é um dos fatores que modificam a percepção do tempo. Assim o passar das horas, dias, meses e os anos são percebidos de maneira diferente por aqueles que já cultivam alguns cabelos brancos.

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Mas o quanto esta percepção pode variar?

Pesquisadores do Departamento de Ciências Neurológicas da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, decidiram investigar e chegaram à seguinte conclusão: pessoas acima de 50 anos percebem a passagem do tempo como sendo 24,6% mais rápida do que jovens com idade entre 15 e 29 anos.

Segundo os pesquisadores também existem outros fatores que ajudam a relativizar a percepção da experiência temporal. A aprendizagem e as experiências estão entre os principais.

Aprendizagem e experiências

Quando se aprende algo novo, por exemplo, o esforço cognitivo envolvido no processo de memorização e concentração tende a fazer com que percebamos mais lenta a passagem do tempo.

Já o peso da experiência está relacionado à rotina que estabelecemos ao longo de nossa vida pessoal e profissional. Ao envelhecer, os atos repetitivos e a falta de situações inteiramente novas reduz o número de eventos significativos que influem na contabilização e estimativa do tempo.

Assim, pessoas mais jovens com menos conhecimento e experiência, para quem a vida tende a ser vista como um manancial de descobertas ainda a serem feitas, sentem o tempo passar muito mais lentamente do que pessoas mais velhas, cuja rotina leva a repetição de padrões já assimilados.

Desta forma, a frase de uma das canções de Renato Russo na música “Tempo Perdido” realmente faz todo sentido. Afinal, como a ciência tem demonstrado, sobretudo de acordo com a idade, de fato “temos nosso próprio tempo”. #Neurociência #cerebro