Em 2005, a sonda espacial Cassini – um projeto em conjunto da NASA, da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Italiana (ASI) – fez uma descoberta espantosa ao passar perto da lua de Saturno conhecida como Encélado: do polo sul deste satélite natural, que possui uma superfície de gelo, saem jatos de vapor de água que se projetam para o espaço, provenientes de quatro fraturas que foram apelidadas de "Listras de Tigre".

A constatação desta atividade hidrotermal (circulação de água quente, que neste caso, se origina da interação do gelo com o calor proveniente do núcleo da lua) aponta para a existência de um oceano líquido de escala global abaixo da superfície de Encélado, o que faz com que este satélite possa apresentar condições favoráveis para sustentar organismos vivos – uma vez que, segundo a ciência, a água em estado líquido é essencial para a vida tal como é conhecida.

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Agora, em um novo estudo liderado por Alice Le Gall (do Laboratoire Atmosphères, Milieux, localizado na França) e publicado na segunda-feira (13) no site Nature Astronomy, cientistas descobriram que o oceano subterrâneo de Encélado pode estar mais perto da superfície do que se imaginava.

Anomalia térmica

Alice Le Gall baseou sua #pesquisa em imagens de alta resolução do polo sul de Encélado registradas pela sonda Cassini durante um sobrevoo ocorrido em 2011, feitas no comprimento de micro-ondas (o que permite aos cientistas "enxergar" diferenças de temperatura abaixo da superfície congelada da lua). A área de estudo possui um total de 500 km de comprimento e 25 km de largura, e localiza-se entre 30 km e 50 km de distância das famosas fraturas "Listras de Tigre".

De acordo com o site Daily Mail, Le Gall afirmou que as imagens revelaram que os primeiros metros abaixo da superfície congelada de Encélado apresentam temperaturas entre 50 e 60 Kelvins (223 e 213 graus Celsius negativos, respectivamente), o que representa uma diferença substancial de até 20 Kelvins mais quente do que o esperado.

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A cientista disse que esta discrepância entre a temperatura esperada e os dados obtidos não pode ser explicada como sendo apenas o resultado da iluminação proveniente do Sol (devido à distância em que o sistema saturniano se encontra da estrela), e nem ser resultante do aquecimento proporcionado por Saturno através do chamado "efeito de maré" (que ocorre quando a força gravitacional de um planeta faz com que camadas internas de uma lua se deformem e entrem em fricção, o que produz calor).

Assim, mesmo que o estudo cubra somente uma área estreita, é possível que toda a região do polo sul de Encélado esteja mais quente do que se pensava, e que seu oceano líquido possa estar a apenas 2 km de profundidade.

Ainda de acordo com o Daily Mail, o cientista Nicolas Altobelli, que trabalha na missão Cassini pela Agência Espacial Europeia, afirmou: "Esta descoberta abre novas perspectivas para investigar o surgimento de condições habitáveis ​​nas luas geladas dos planetas gigantes gasosos".

Além disso, em uma declaração, a NASA explicou:

"Uma vez que os cientistas acreditam que a água líquida é um ingrediente chave para a vida, as implicações para futuras missões à procura de vida em outras partes do nosso Sistema Solar poderiam ser significativas".

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#Curiosidades #Europa