Pesquisadores da Universidade do Oregon realizam estudo que pretende identificar quais são os efeitos reais que a meditação, como atividade regular, tem sobre o cérebro. A atividade meditativa divide opiniões: muitas pessoas acreditam apenas se tratar de uma auto ilusão; enquanto outros afirmam que a meditação pode trazer benefícios diversos. Parece que essa pesquisa, co-liderada por Cris Niell, veio para finalmente colocar os pingos nos 'Is'.

Ensinar um rato a prestar atenção na respiração, enquanto vocaliza o mantra Om namah Sivaya, apesar de tentador, ainda não é possível. Então, como fazer com que um rato "medite"? Michael Posner, um psicólogo da Universidade do Oregon, mostrou em um trabalho anterior que um dos efeitos da meditação no cérebro humano é causar uma mudança nos ritmos neurológicos.

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Ele descobriu que oscilações específicas na região do córtex cingulado anterior são mais "altas" após uma sessão de meditação.

"Todos possuímos estas oscilações no córtex cingulado anterior, mas elas são mais fortes e mais poderosas nas pessoas após fazerem uma meditação", diz Aldis Weible, um pesquisador do Instituto de Neuro-#Ciência da Universidade do Oregon, e o primeiro autor deste estudo.

Sabendo que não poderiam fazer com que um rato meditasse usando o método tradicional, os autores do estudo resolveram tentar fazer com que o córtex cingulado anterior de um rato oscilasse no mesmo ritmo do ACC (sigla em inglês) nos humanos que praticam a meditação. Para tanto, eles modificaram geneticamente ratos com uma proteína especial em seus cérebros que faz com que os neurônios disparem quando expostos à luz.

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Os pesquisadores foram capazes de colocar o código genético para estas proteínas somente na região do ACC.

Depois, conectaram uma fonte de luz ao cérebro dos ratos para que, assim, eles pudessem expor estas proteínas a diferentes padrões de luz. Acendendo-as, eles eram capazes de fazer os neurônios do ACC dispararem no mesmo ritmo em que ocorre nos meditadores humanos.

"Não estamos fazendo com que os ratos meditem de verdade, mas estamos mudando os padrões de atividade na região do cérebro", pontua Niell.

Os testes revelaram que os ratos que foram expostos aos mesmos padrões que os humanos que meditam estavam mais relaxados que aqueles que não passaram pelo tratamento "meditativo"; isto sugere que os efeitos comportamentais causados pela meditação em humanos podem ser recriados em ratos. A equipe também experimentou fazer com que o ACC oscilasse em frequências diferentes, mas notaram que os efeitos calmantes eram mais notáveis quando a oscilação era igual a do cérebro humano - oito vezes por segundo.

A pesquisa é importante porque nos ajuda a entender como a meditação funciona e nos revela como a estimulação periódica poderia beneficiar as pessoas que, por uma razão ou outra, não gostam de meditar. Também poderia ajudar pessoas a se recuperar de forma mais rápida e eficiente de doenças como derrame e estresse pós-traumático. #Curiosidades #Saúde