Dados um tanto quanto alarmantes em relação à labioplastia – #Cirurgia íntima feminina – foram divulgados essa semana pela Revista Veja. Segundo a reportagem, o procedimento é procurado, inclusive, por meninas de apenas 11 anos de idade.

Tendência em todo o mundo, as cirurgias íntimas foram incluídas pela primeira vez no relatório anual da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos.

Confira alguns dados:

- Entre 2003 e 2013 a labioplastia aumentou dez vezes;

- No Brasil, o aumento foi de 250% em um ano, conforme levantamento da Dall’Agno & Manfrim Cirurgia Plástica;

- Aproximadamente 200 mulheres com menos de 18 anos fizeram a cirurgia entre 2015 e 2016, sendo que 150 delas tinham menos de 15 anos, o que equivale a 75% dos casos.

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Especialistas consultados pela rede britânica BBC apontam como provável causa desse aumento a prática do sexting – o famoso nudes – uma vez que o envio de fotos íntimas e o acesso a conteúdo adulto na internet é cada vez mais comum e indiscriminado.

Paquita Zulueta é médica e se declarou preocupada em relação a esses índices. Segundo ela, meninas de 11, 12 anos acreditam que o tamanho ou formato da vulva é anormal. “Sua percepção é que seus pequenos lábios deveriam ser invisíveis, quase como uma Barbie, mas a realidade é que há muita variação”, declara.

Filmes e material de cunho adulto, segundo especialistas, podem ser os grandes responsáveis por essa percepção negativa da própria imagem, uma vez que o que veem nesses vídeos não corresponde à realidade, na maioria das vezes.

Conforme a NHS – Registros do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido – a labioplastia não deve ser realizada em menores de 18 anos, uma vez que o corpo ainda está em desenvolvimento.

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O procedimento apenas é aconselhado em casos de deformidades que afetem a saúde física ou psicológica das pacientes.

Claire Moran, autora de uma pesquisa realizada na Faculdade de Psicologia da Universidade de Queensland, na Austrália, afirma que geralmente as mulheres não se submetem a esse tipo de intervenção por razões de saúde. De acordo com ela, a questão está relacionada, na maioria das vezes, à aparência. “Há equívocos em torno da aparência genital normal. Isto é devido à edição de imagens, à falta de exposição a órgãos genitais normais das mulheres, maior visibilidade genital devido à depilação total e ao tabu geral sobre discutir os órgãos genitais e a aparência genital”, conclui Claire. #2017