Quando nasceu, o garoto Zion Harvey, de Baltimore (#EUA), era uma criança saudável, mas quando completou 2 anos de idade um verdadeiro martírio começou, pois mesmo naquela tenra idade ele precisou lutar pela vida: o menino apresentou um quadro de sepse – infecção generalizada potencialmente fatal que produziu um efeito devastador. Os tecidos de suas mãos é pés começaram a morrer, e não restou outra alternativa aos médicos senão amputar os quatro membros.

Além disso, os rins de Zion entraram em falência, o que o obrigou a fazer diálise até os 4 anos – período após o qual recebeu um novo órgão doado por sua mãe, Pattie Ray.

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Depois desta primeira vitória, a vida do garoto teve um novo e impressionante capítulo que se iniciou em julho de 2015, quando ele passou pelo primeiro transplante duplo infantil de mãos, que foram doadas por uma família que preferiu se manter no anonimato.

Agora, após progressos espantosos, os médicos do Children's Hospital of Philadelphia, onde a cirurgia foi realizada, declararam que o procedimento pioneiro no mundo pode ser considerado um verdadeiro sucesso.

Conquistas e desafios pela frente

Atualmente, Zion Harvey tem 10 anos de idade, e é capaz de usar suas novas mãos de uma forma notável, podendo executar tarefas que qualquer criança de sua idade realizaria, como, por exemplo, se vestir, se alimentar, escovar os dentes, escrever e praticar esportes.

Segundo exames conduzidos pelos médicos que fizeram a cirurgia – ao todo, 40 profissionais se envolveram na operação, que durou mais de 10 horas – o cérebro do menino aceitou os novos membros como se seu organismo já tivesse nascido com eles.

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A médica Sandra Amaral, integrante da equipe médica, declarou que está maravilhada com o progresso, revelando que a sensação tátil de Zion melhora cada vez mais, ao ponto de ele encostar as mãos no rosto da mãe e sentir este toque.

Entretanto, pacientes que recebem transplantes necessitam tomar as chamadas drogas antirrejeição durante toda a vida. Zion, por exemplo, apresentou oito episódios de rejeição dos órgãos, em especial durante o quarto e o sétimo mês após os implantes – eventos que, felizmente, foram contornados com o ajuste das cinco medicações (quatro imunodepressores e um esteroide) que ele faz uso regularmente, e que podem provocar efeitos colaterais, tais como infecções, diabetes e câncer.

O menino já tomava este tipo de remédio por causa de seu rim, e este fator contribuiu para o sucesso da operação mais recente. Mesmo assim, médica disse que, embora os resultados sejam benéficos, a cirurgia tem se mostrado "muito exigente" tanto para Zion quanto para sua família.

Um relatório sobre o procedimento foi publicado na terça-feira (18) na revista médica internacional The Lancet Child and Adolescent Health, onde os profissionais envolvidos no transplante ressaltaram que o processo foi bem-sucedido em função de "circunstâncias cuidadosamente consideradas".

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Eles alertaram que mais estudos serão necessários antes que esse tipo de operação se torne comum em crianças. #Inovação #Medicina