O #envelhecimento populacional, fenômeno familiar no Primeiro Mundo, ultrapassou a linha do Equador e alcançou o Brasil. A mudança na pirâmide etária instiga debates, influencia a produção científica e questiona as atuais políticas públicas. Frente à vasta discussão sobre o idoso, um assunto, muitas vezes, passa despercebido: a sexualidade.

O pujante mercado do Viagra e a multiplicação das DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) dentro das casas de repouso denunciam um fato, para muitos, horrendo. Pessoas velhas transam. O filme "E se Vivêssemos todos Juntos?", de Stéphane Robelin, trata da sexualidade do idoso de forma descontraída e interessante.

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Sociedade de velhos

O filme trata de um grupo de cinco idosos que cultivam uma amizade de longa data. Ao se depararem com a solidão e com a dificuldade de autonomia, resolvem morar juntos para cuidarem uns dos outros. Na trama, as questões referentes à etapa da velhice na modernidade são levantadas. A sexualidade do idoso é retirada debaixo do tapete e apresentada com bom humor.

Um dos personagens, sexualmente ativo, ao enfrentar um problema cardíaco, é proibido pelo médico de utilizar a pílula azul. É consenso em nossa sociedade que impossibilitar um jovem de experimentar sua sexualidade é quase uma tragédia, pois sexo é #Saúde e tem valor. No entanto, em relação aos idosos, isso parece ser diferente. Qual o valor dado à sexualidade do sujeito velho?

Quem são os idosos?

Jack Messy, psicanalista francês, faz uma reflexão importante a respeito do idoso.

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Em seu livro "A Pessoa Idosa não Existe", afirma que o velho é o outro. Ou seja, o velho é sempre alguém que tem mais idade que eu, e eu, por ter mais idade que alguns, sou sempre o velho de alguém. Assim, camuflar a sexualidade do velho, idoso, ou do novo, criança, é uma forma de camuflar a própria sexualidade. Fato comum na neurose.

O psicanalista Contardo Caligarris discutiu em sua coluna semanal a dificuldade de aceitarmos o desejo dos idosos. Admitir que um adolescente possa ter desejo sexual é consenso entre as famílias. Permitir que os filhos adolescentes tenham relações sexuais é aceitável, embora encontre resistência em alguns lares. A resistência é maior com os idosos. Imaginar a mãe ou a avó viúvas, com 70 anos, pensando em sexo é inaceitável para muitas pessoas.

Grifo do autor

Falar sobre a sexualidade dos idosos pode soar agressivo ou imoral para algumas pessoas. No entanto, o sexo nas últimas etapas da vida pode proporcionar momentos felizes. Meu avô, que vivia em uma pequena cidade do interior, ao conhecer uma pessoa nova, do sexo masculino, sempre laçava uma proposta: "Vamos trocar as mulheres? Eu fico com a sua e você fica com minha velhinha".

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Os rapazes riam e, às vezes, brincavam: "O senhor não funciona mais". O velho altivo respondia: "Eu dou é duas, sem tirar de dentro".

Obviamente, isso era uma brincadeira de meu avô, que amava sua esposa. Além disso, ele tinha problemas cardiovasculares, teve que fazer cirurgia e tudo. Faleceu aos 80 anos, por causa de uma pancreatite.