A chamada "terapia de reorientação sexual", recentemente autorizada em caráter liminar por um juiz federal, também denominada "terapia de reversão sexual" ou "reparativa", tem o objetivo de transformar a orientação do indivíduo homossexual em heterossexual, que compreende um conjunto de diversos métodos, não raro envolvendo religião e práticas de violência física e psicológica. Por trás desses atos está a crença de que a #Homossexualidade seja um desvio, um distúrbio mental, e que a heterossexualidade seria o "estado natural" para o qual o sujeito "doente" deveria retornar.

As ciências médicas e o campo da psicologia rejeitam oficialmente as formas de terapia de reorientação sexual, considerando não haver nenhum problema com indivíduos homossexuais e bissexuais, as quais são apenas variações naturais da sexualidade humana.

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Além de os estudos acerca dessas terapias e tratamentos não terem apresentado nenhum resultado válido, não tendo, portanto, embasamento científico, a Associação Americana de Psiquiatria chama a atenção para como elas podem causar extremo sofrimento naqueles que se submeterem a essas práticas.

Jovens obrigados a passar por processos de reorientação com frequência desenvolvem transtornos de ansiedade e depressão, podendo chegar a cometer suicídio.

Em 2011, pelo menos 30 clínicas de reabilitação para viciados foram fechadas no Equador e no Peru, por oferecerem tratamentos voltados para a "cura" da homossexualidade. A fotógrafa lésbica equatoriana Paola Paredes decidiu, então, investigar a atuação dessas clínicas e produziu o ensaio "Até que você mude", em que retrata os abusos sofridos pelos pacientes, incluindo estupros corretivos a lésbicas realizados pelos funcionários, que diziam às vítimas que elas sentiriam o prazer de uma "prática abençoada por Deus".

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No Brasil, o caso de Rozangela Alves Justino [VIDEO] repercutiu em 2009, após decisão do Conselho Federal de Psicologia (CFP) pela censura pública de seus atos. Rozangela foi denunciada em 2007 por oferecer terapias de reversão da homossexualidade e, desde sua punição pelo CFP, tem acusado o movimento "pró-homossexualismo" de perseguição. Para ela, alianças estão sendo feitas com o intuito de implantar uma ditadura gay no país.

Entre os apoiadores de Rozangela está um grupo formado por psicólogos cristãos - como Marisa Lobo - que acreditam na existência de uma agenda perversa para destruir as famílias tradicionais e acabar com a moral e os bons costumes, a fim de instaurar um "Nova Ordem Mundial".

Rozangela tem um cargo especial como assessora do deputado federal Sóstenes Cavalcante, do DEM/RJ, que faz parte da bancada evangélica e é apoiado por Silas Malafaia, pastor que em 2011 e 2012 investiu em clínicas de recuperação para homossexuais. Curiosamente, desde então temos testemunhado várias movimentações na Câmara com o intuito de permitir legalmente que terapias de reorientação sejam oferecidas, a exemplo das tentativas de Marco Feliciano em 2013 e 2015.

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Como apontou o sociólogo Leonardo Rossatto, o interesse em se legalizar essas práticas "terapêuticas" está ligado ao desejo de Malafaia de estabelecer convênios com o governo para que suas clínicas de recuperação possam receber para "curar" homossexuais.

Diante de toda essa polêmica, minorias sexuais correm mais uma vez o risco de serem vistos como doentes e/ou perversos pela sociedade para satisfazer a um lobby de religiosos que estão em busca do enriquecimento às custas do povo. #LGBT