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De acordo com a médica Lucy Kerr, especialista em radiologia médica, diagnósticos por imagem e também presidente da Sociedade Brasileira de Ultrassonografia, a mamografia vem sendo explorada de forma errônea há muitos anos. A médica mantém sua tese com base em artigos publicados na British Medical Journal sobre estudos feitos ao longo de 25 anos com cerca de 90 mil mulheres, chegando à conclusão que não foi constatado redução da mortalidade entre pacientes que faziam #mamografia com regularidade.

Lucy afirma que essa polêmica não começou no Brasil, mas, sim, na Suécia em 1999, quando foi feito um estudo de rastreio em 85% das mulheres entre 50 e 69 anos de idade, quando foi constatado a não redução da mortalidade por câncer de mama e isso acabou despertando o interesse do governo em estudar a situação.

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Após esse resultado alarmante, o governo convidou o pesquisador Peter C. Gøtzsche, chefe da Cochrane Collaboration, instituição responsável por avaliar a qualidade de trabalhos científicos, para explicar o motivo, tendo em vista que vários artigos da época possuíam dados que comprovavam a ótima eficácia da mamografia.

Peter, ao verificar os artigos publicados, chegou a conclusão que destes oito artigos alegando o benefício da mamografia, seis deles eram forjados, incluindo erros estatísticos com exclusão de 700 mulheres da análise, pois estas iriam atrapalhar o resultado real dos estudos. Lucy Kerr chama estes erros de “ajeitômetros e fraude total".

Com a análise solicitada pelo governo a Peter, chegou-se a conclusão que foi elevado de 30% a 35% as mastectomias (excisão ou remoção total da mama), pois eram identificados carcinoma in sito e que de fato não é carcionoma (câncer), segundo Lucy Kerr.

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Após este levantamento feito, o governo da Suécia decidiu abolir a mamografia, sendo nos dias de hoje proibido no país. Lucy Kerr ainda afirma estar com uma paciente nesta situação, onde removeram as duas mamas, passou por quimioterapia e nos exames constava apenas carcinoma in sito, o que, segundo a médica, não é câncer, são microcalcificações.

De acordo com ela, a mamografia não é capaz de identificar o câncer de mama perigoso, aquele câncer mole (BRCA1, BRCA2), que é um tipo de mutação altamente agressiva, com crescimento altamente acelerado. Segundo a médica, por isso a mamografia não reduz a mortalidade.

Na atualidade, esse tema é um assunto muito debatido entre os médicos e se torna, principalmente no Brasil, impossível saber a realidade sobre a mamografia, se ela é prejudicial ou benéfica ao ser humano, mesmo com diversos artigos científicos publicados referente ao tema.

Segue abaixo a entrevista na íntegra com a médica Lucy Kerr ao programa "Gente Que Fala" em que ela aborda o assunto:

#cancerdemama #Tratamentos