Na busca de #Emprego ou trabalho, tratados aqui como sinônimos, as novas gerações não estão mais dispostas a executarem funções apenas pelo dinheiro e benefícios materiais. Isso ficou no passado. Mesmo aqueles indivíduos com pouca qualificação procuram, além de garantir a sobrevivência e pagar contas, a satisfação pessoal.

Claro que a crise econômica eventualmente pode forçar a aceitar alguma vaga disponível pouco interessante. Embora o desespero não qualifique ninguém para função alguma, os contratantes podem se aproveitar disso e focar numa seleção em busca de "paus para toda obra". É aqui que os candidatos devem conscientizar-se dos seus objetivos mais importantes e ver se as empresas oferecem, além dos benefícios tradicionais, o chamado #Salário emocional.

Mas o que é esse tal de salário emocional?

É um conjunto de condições, não mensuráveis financeiramente, que valorizam o bem-estar e o desenvolvimento dos funcionários. Quem nunca ouviu falar dessas empresas modernas, como o Google, cujo horário de expediente, vestuário e a decoração do local de trabalho ficam por conta do funcionário, desde que eles cumpram suas obrigações?

O aspecto humano nas relações e ambientes profissionais preocupa cada vez mais os gestores sensíveis.

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Obtém resultados mais facilmente aqueles que aderem a essa nova consciência mais rápido. "Esse modelo é adotado por organizações com filosofia moderna de gestão de pessoas. Mas representa apenas 10% da população empresarial brasileira. São exceções”, revela o coach financeiro Homero Reis.

A ideia do salário emocional não é novidade. Comemorações de aniversário e planos de carreira estão aí há tempos na agenda dos recursos humanos. Foi a consciência dos gestores que cresceu e novos elementos foram agregados a essa política.

Pagando bem, que mal tem?

Não é que o velho modelo de trabalhar apenas por uma boa remuneração não funcione. Esse padrão profissional já deu e ainda dá muito certo. O professor e historiador Leandro Karnal gosta de dizer que o sonho de sua avó era que ele tivesse um emprego estável e vitalício na Petrobras e ele sempre pergunta em suas palestras, de maneira sarcástica: "Onde eu estaria hoje, caso tivesse dado ouvidos a ela?".

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Depende quais são as prioridades. Se pensa em dinheiro e carreira, mas quer também amar o que faz, é aconselhável saber onde está se metendo antes de começar a disparar os currículos. Uma situação econômica difícil restringe as escolhas, mas nunca se deve prostituir os sonhos e desejos. A longo prazo isso seria danoso e frustrante para os funcionários e para a empresa, que teria de lidar com altos índices de turnover (rotatividade de profissionais).

A pessoa não precisa ser um profissional frustrado a vida toda dentro de uma companhia. Porém, antes de abandonar tudo e procurar ter uma nova profissão, considere o seguinte:

1 - Acredito na missão dessa (espécie de) empresa?

Autoconhecimento. Essa é a base para toda reflexão sobre como procurar o próximo emprego ou trabalho. Como é essa empresa e como ela impacta o mundo? Você se identifica e combina com ela e seus interesses? Imagine que a empresa em que quer ingressar exige uma postura sempre educada e condescendente com um público arrogante e mimado, mas você é do tipo "pavio curto".

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Não seria melhor repensar a sua candidatura?

2 - O ambiente é amigável, estimulante e garante reconhecimento?

Bonés e canetas baratas ainda encantam muitos empregados. Você, no entanto, exige um ambiente estimulante, com chefes engajados e colegas amigáveis. Será que esse é o modelo vigente na empresa em questão? A organização tem um ambiente social de trabalho agradável? Os superiores são acessíveis e dispostos a ensinar os subordinados? Uma resposta precisa e consciente a essas questões é imprescindível antes de aceitar o cargo.

Os ganhos emocionais refletirão no desempenho e no comprometimento como empregado. “Se o ambiente de trabalho for amedrontador, pode ser que o funcionário entregue menos do que poderia entregar, uma vez que ele se sente estimulado a ir além. Ou seja, ele faz exatamente o que esperam que ele faça”, destaca Eliana Dutra, coach e sócia-diretora da empresa de coaching e treinamento Pro-Fit.

3 - Terei chance de desenvolver meus talentos e habilidades?

Seu objetivo é poder desenvolver seus talentos e adquirir novas competências técnicas. A empresa dá essas condições? Ou só quer quem execute uma função repetitiva e sem plano de carreira? É possível flexibilizar o horário de trabalho, caso se pretenda estudar? Uma empresa que tenha um plano de desenvolvimento profissional e educacional é o modelo ideal para quem quer mais do que "defender o leitinho das crianças". Tudo isso faz parte do salário emocional.

“O que sabemos é que, para tarefas rotineiras, recompensa financeira ajuda a aumentar a produtividade do funcionário. Porém, sempre que é exigido pensamento criativo, o que mais conta é maestria, autonomia e propósito. O funcionário precisa ver propósito no que está fazendo para sentir-se estimulado a buscar mais”, orienta Eva Pontes, diretora da Phoenix Coach.

4 - E quanto à qualidade de vida, interna e externamente?

Isto é, ter momentos relaxantes no local de trabalho e tempo suficiente para vida pessoal e familiar são tão importantes quanto ganhar bem e crescer na carreira. Terei áreas recreativas, sessões de massagem, oficinas de autoconhecimento, creches para as crianças? A vida pessoal equilibrada é um fator essencial na manutenção da produtividade dos colaboradores. A organização oferece a possibilidade de trabalho home office? Afastar-se para cuidar de familiares doentes ou moribundos é possível? É bom verificar como esses benefícios funcionam na prática com quem já trabalha lá.

E se for um emprego ou trabalho autônomo?

O salário emocional tem tudo a ver com o trabalho autônomo. É exatamente nesse contexto que ele ganha mais significado. Aliás, por que alguém escolhe trabalhar para si, abrindo o próprio negócio ou desenvolvendo uma nova profissão? Atrás da #Felicidade que não encontrou num ambiente corporativo.

Portanto, ao escolher a nova profissão ou atividade, veja o que lhe faz feliz. O que lhe motiva? Por que é melhor para você fazer essa e não aquela outra coisa? É melhor lidar com o público ou fazer um trabalho reservado? Se o contato direto com o público lhe incomoda, não entre por esse caminho. Num mundo profissional alternativo o autoconhecimento é de suma importância também.

Todos procuramos felicidade em tudo o que fazemos. Mesmo que muitos digam trabalharem apenas por dinheiro, não é bem verdade. Dinheiro e seus derivados são apenas meios para fins maiores.

Fica uma dúvida: foi a felicidade e satisfação dos profissionais autônomos que levou alguns gestores a pensarem no salário emocional? E aí viram a necessidade de transformar o ambiente de trabalho corporativo em algo mais do que uma fria máquina de fazer dinheiro? Talvez.

Seja lá como for, é pela satisfação pessoal que fazemos e refazemos tudo à nossa volta. O nosso maior empreendimento é e sempre será uma vida de qualidade.