Em 2012, o governador Geraldo Alckmin participou da apresentação do projeto do Complexo Cultural Luz. Na ocasião, Alckmin relatou que o espaço seria um dos mais importantes centros destinados às artes, no país, feito especialmente para apresentações de dança, música e ópera. Disse ainda que seria também peça-chave da proposta de requalificação da região da Nova Luz, estimulando a ocupação residencial e de comércio.

O local escolhido foi onde estava a antiga rodoviária, que funcionou de 1961 a 1982, portanto, durante 31 anos e que, segundo alguns especialistas da área de urbanização, foi a principal responsável pela decadência da região.

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"Nós teremos aqui sala de teatro e de espetáculos, com mais de 1.700 lugares; a Escola de Música e o Centro de Dança", declarou na ocasião, Alckmin. Orçado pela Secretaria Estadual da Cultura em algo em torno de 300 milhões de reais, foi reavaliado em 2010, em 600 milhões. A obra estava prevista para ser inaugurada até o final de 2014.

O fato é que já se passaram dois anos e o que temos? Onde havia um shopping, que funcionava nas antigas instalações da antiga rodoviária, desde 1988 até 2007, quando tudo foi destruído para o início das obras do complexo, existe um imenso terreno baldio. O local está repleto de viciados em crack, que tomaram conta do terreno para ali se instalarem, formando uma imensa favela, deixando ainda mais deprimente a já melancólica região da Luz, que fica próxima da portentosa e badalada Sala São Paulo.

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Em meio a esse imbróglio, duas questões ficam no ar: se já tinha verba definida, por que até agora, vejam bem, depois de sete anos da demolição da antiga rodoviária, nem tapumes foram colocados para dar uma esperança do início das obras? Se antes alegavam que com o shopping que lá havia, tinha aumentado o número de assaltos, imagina agora? Em um país onde ter dinheiro destinado para obra não significa necessariamente execução imediata da mesma, dá até para entender o porquê de tanta demora. Enquanto isso, quem sofre com o estado calamitoso que se encontra o local são as pessoas que usam os trens na Estação Júlio Prestes e tem que atravessar aquela zona de perigo, os moradores do local e aqueles que têm comércio.