Quando, aos 13 anos, Jean Nicolas Arthur Rimbaud iniciou seus primeiros versos na pequena cidade de Chalerville, nordeste da França, no ano de 1867, talvez, ele não imaginasse que se tornaria um ícone para poetas, escritores, músicos, artistas, anarquistas e demais intelectuais do século seguinte. A obra poética de Rimbaud adentrou o século XX como uma bala dilacerando puritanismos hipócritas de sociedades machistas em várias partes do mundo ocidental. E o autor foi um dos poucos na história da #Literatura que viveu sua própria obra. Ele era aquilo que escrevia. Ao escandalizar a elite parisiense com o comportamento considerado ultrajante, Rimbaud apontou o caminho para o nascimento do que, no século XX, passou a ser chamado por contracultura.

Muito antes de beatniks (anos 50), hippies (anos 60) e punks (anos 70), o jovem Rimbaud já derrubava tabus e enfrentava as famílias “limpinhas” da França. A influência do poeta em diversos campos da cultura no século XX é, de fato, inquestionável. Arrisco a dizer, que Arthur Rimbaud é o maior poeta do século passado, mesmo não tendo vívido um segundo sequer do referido século. As primeiras evidências do legado de Rimbaud foram vistas na arte pós-primeira guerra mundial, conhecida como “Geração Perdida”. Escritores norte-americanos como Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald e Ezra Pound, enxergaram em Rimbaud a imagem da libertação. Além deles, músicos de jazz como Cole Porter e Irving Berlin também beberam fielmente da fonte do jovem francês.

Um pouco mais pra frente, outra geração descobria em Rimbaud o que procuravam para suas vidas: liberdade. O espirito viajante da “Geração Beat” vem justamente do poeta de Chalerville, que em pouco tempo de vida enveredou por três continentes diferentes (Europa, Ásia e África). Os beats mais influenciados foram: Allen Ginsberg, Gregory Corso e William Burroughs. Os “ecos” de Rimbaud não se resumiram ao universo literário. Muitas outras artes também foram afetadas pela ousadia do atrevido poeta. O surrealismo é um bom exemplo. O pintor espanhol Salvador Dalí era leitor assíduo do poeta e levou muito das loucuras deste para suas obras.

A música pop também foi atingida de forma avassaladora, representada, primeiramente, por Bob Dylan. As inspirações contestadoras do músico surgiram de Rimbaud, seja nas letras, seja na coragem. Dylan enfrentou a nata tradicional do folk ao se aproximar do rock, assim como Rimbaud detonou a sociedade parisiense ao se relacionar com o poeta Paul Verlaine. Várias gerações seguintes do rock chegaram ao poeta francês por meio de Dylan, como por exemplo: Jim Morrison (The Doors), Leonard Cohen e Patti Smith.

Os “vários Rimbauds” tornaram o século XX o século das contestações. O que mais impressiona é o fato de o poeta francês ter conseguido se tornar uma influência arrebatadora para todo um século, tendo se dedicado ao ofício de escrever por apenas sete anos. Toda sua literatura foi escrita até os 20 anos, idade na qual abandonou a carreira de poeta, tempo suficiente para soar para o século seguinte como algo revolucionário. A verdade é que, quem ler obras como “Uma temporada no inferno” e “Iluminações” não sai ileso jamais. Talvez isso explique porque diferentes gerações, de décadas distintas, enxergaram em Rimbaud um caminho libertador a ser seguido.