Em 1951, Getúlio Vargas foi eleito, democraticamente, presidente do Brasil. Seu mandato foi bem turbulento, na medida em que havia duas correntes políticas antagônicas no cenário político-institucional brasileiro, que disputavam prestígio frente à esfera pública: os entreguistas e os nacionalistas. Tal querela, também, esteve presente nas discussões acerca da estatização de empresas estrangeiras, o que demonstra o grau de acirramento entre essas duas visões.

Os primeiros partiam do pressuposto de que o Brasil deveria alinhar-se aos Estados Unidos da América, partindo-se de um argumento econômico, entusiasta do livre comércio; do outro lado, havia a concepção de política econômica, mais nacionalista à esquerda, na hipótese de queremos classificar os espectros políticos, próxima de uma visão desenvolvimentista da economia, em cujo objetivo estaria a defesa do capital nacional, como mola propulsora do processo de industrialização brasileiro.

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Com a morte de Vargas, o Brasil passou por um débâcle político institucional: em pouco tempo, tivemos 3 presidentes: café filho, Carlos Luz e Nereu ramos. Em 1955, com as eleições de Juscelino Kubitschek, o temor por crise institucional foi desanuviado.

O governo de Kubitschek tinha como perspectiva a promoção do desenvolvimento brasileiro, a partir do lema: "50 anos em 5"o tripé indústria nacional, capital estrangeiro e mercado consumidor foi a tríade político discursiva do então presidente. Tal perspectiva teve reflexos na cultura brasileira, sobretudo na música: a bossa nova, pois bem, foi uma das consequências desse frenesi, que nasceu sob o signo desse período histórico, reluzente em termos de perspectiva político-econômica.

A bossa nova foi concebida em um período posterior ao do popularmente classificado gênero "Samba-canção", que tinha como tema recorrente as desilusões amorosas e seu decorrente niilismo, a partir de uma estética que poderíamos descrever como próxima ao melodrama.

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Sua gênese histórica está datada em 1958, ano em que o LP "chega de saudade" foi circulado.

Tendo sida produzida por Vinícius de Moraes e Antônio Carlos Jobim, a letra enfatizava para a necessidade de desgarrar-se frente à construção simbólica e mnemônica de um passado, que dá saudade, mas que não mais pode ser reproduzido. Mas o inexorável desejo pode ser um combustível para que, a partir da significação histórica do afeto, o eu lírico tome atitudes efetivas a fim de que abraços, carinhos e beijinhos possam ser, novamente, materializados. Se essa projeção é ou não valida, pode-se contra-argumentar. Entretanto, é necessário que reconheçamos e identifiquemos o gênero Bossa Nova como um fenômeno cultural condizente ao espírito daquele tempo. #História #Curiosidades