Muse é uma banda britânica de rock alternativo progressivo da década de 1990 e, desde então, ganharam pelo menos 37 prêmios por seus álbuns. O álbum The Resistance ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Rock. Tratada como megalomaníaca e pretensiosa, tem influencias como Queen e U2. Não se fica indiferente ao som da banda: ame ou odeie.

Analisarei o quinto disco da banda,  o The Resistance, de 2009. Influenciado por clássicos como "1984" de George Orwell, tal influência vem desde o álbum antecessor Black Holes and Revelations, como em Take a Bow, e influencia também o sucessor The 2nd Law, representado em Supremacy.

No total de 11 faixas, entre elas uma #Música com estilo de 'sinfonia', o ambicioso álbum mostra uma veia política aflorada.

Publicidade
Publicidade

Marx nos presenteia com sua obra, a ideia da permanente luta de classes. Nas letras do Muse, o eu lírico seria alguém da classe dominada que tira o 'véu' da ideologia. Ideologia esta que seria uma falsa consciência que viria da classe dominante que a oprimida toma como sua. A ideia de revolução, alienação e dominação está presente em quase todas as letras.

Como na música Uprising:

"(...) Eles tentarão empurrar drogas

Que nos mantêm estúpidos (...)

Eles não irão nos forçar (...)

Eles não irão nos controlar(...)

Erga-se e tome o poder de volta

É hora dos gatos gordos terem

Um ataque do coração(...)

Temos que nos unificar

E observar nossa bandeira subir (...)"

O nome da música é Rebelião. Na primeira parte ele diz sobre as "drogas" que seriam os objetos que a classe dominante torna como desejo como parte da ideologia dos dominados.

Publicidade

A segunda parte é o refrão, no qual se referem a "eles", seria a própria classe dominante, enquanto chama o povo para a sua rebelião. Por fim, na terceira parte, "gatos gordos" no poder seriam os próprios políticos que estão atualmente governando e ainda no final desta estrofe, fala sobre uma bandeira que seria, provavelmente, a do comunismo.

A 2ª música,  a que nomeia o álbum, possui um trecho interessante:

"(...) Você vai acordar a polícia do pensamento,

Essa é uma clara referência à censura, na qual Marx era crítico aferrado.

Na música United States of Eurasia, além de criticar o capitalismo (EUA), faz referência à tentativa de mudança de poder e de apenas existir um "estado" no mundo, como o socialismo.

"(...) Mas sabemos que não importa quem detém as rédeas

Nada irá mudar,

A nossa causa se tornou insana (...)

Essas guerras, elas não podem ser vencidas

E você quer que elas vão adiante? (...)

Porque dividir os estados?

Quando pode existir apenas um?(...)"

Em Unnatural Selection, quem tem mais capital nas mãos é "naturalmente selecionado", os 'afortunados' ou 'especiais':

"Eles rirão enquanto assistem a nossa queda

Os afortunados não se importam nem um pouco (...)

É uma seleção não-natural

Eu quero a verdade (...)

Eu quero que isso vá além do protesto pacífico (...)

Sem religião ou honrosos lutadores (...)

Enquanto isso eles lhe farão acreditar que

Eles são os especiais

E que nós não fomos escolhidos (...)"

A 7ª faixa, MK Ultra, refere-se ao programa clandestino de experiências em humanos feito pela CIA,  no qual se desenvolvia drogas e procedimentos para forçar confissões.

Publicidade

O compositor relacionou isso com a perda de esperanças:

"(...) Noções coercivas se expandem novamente (...)

Quanta decepção você pode suportar?

Quantas mentiras você criará?

Quanto tempo até você desmoronar?

Sua mente está a ponto de colapsar (...)

A mente se transforma em uma barreira

Toda a história apagada com apenas um golpe (...)"

Por fim, nas últimas faixas do CD temos Exogenesis: Symphony, em suas três partes. Apesar de ser quase toda sinfônica, há uma série de perguntas que fala sobre os "heróis" da resistência:

"Quem somos nós?

Onde nós estamos?

Quando nós estamos?

Por que nós estamos?

Quem somos nós?

Onde nós estamos?

Por quê? Por quê? Por quê?"

E na parte final, uma chamada para a revolução é posta para todos, nos convidando:

"(...) Viole a esfera externa (...)

Estamos contando com você

Tudo se resume a você

Espalhe nossos códigos às estrelas

Você deve resgatar a todos nós (...)"

Apesar do interesse do compositor e vocalista Matthew Bellamy por teorias da conspiração, mostra em suas diversas letras o gosto pela ideia da revolução. Trata também da ideologia e alienação, dizendo que a 'classe dos afortunados' força algo na cabeça da classe oposta. São letras carregadas de mensagens políticas e incentivam a afastar a ignorância em busca da própria verdade.



#Curiosidades