Bons tempos quando um filme valia pelo que ele mostrava na tela e não pelo que ele apurava na bilheteria. Os grandes diretores do #Cinema fizeram sua fama em cima de bons trabalhos e não no que esses trabalhos arrecadaram. Se eles geraram renda, é porque eram bons filmes. Hoje, entende-se como bom, um filme que rende muito. A lógica de mercado faz até sentido quando se trata de um produto, porém, deixa a desejar e, o que é pior, corrompe quando falamos de arte. O cinema tem, até, uma alcunha que o nomeia de sétima arte. Mas será que, ainda hoje, podemos considerá-lo como uma arte?

Os estúdios sempre precisaram de um bom retorno de suas produções para continuar trabalhando, porém, o que se vê hoje em dia é muita "maquiagem", e olhe que não estou falando de pancakes, batons e rímel.

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As espetaculares cenas - todas realizadas em computador - ganham mais atenção do que a história, a direção e a atuação. Se compararmos com outra arte - a pintura, por exemplo - talvez fosse como criar os surrealismos de Dali através de um software que qualquer pessoa possa mexer somente por entender da técnica do computador, porém, sem nenhum talento artístico. E na verdade é isso que nos comove ao ver um filme, uma pintura, ouvir uma música: A essência da arte que se transmutou em produto através do trabalho do artista.

Sem ter o que ver, não vale a pena?

O cinema de hoje em dia não é falado nas mídias, nem nas redes sociais, se não tiver muitos minutos de FX, os conhecidos e, infelizmente tão exigidos, efeitos especiais. Até os making of's dos filmes gastam mais tempo mostrando como foram feitos os efeitos, do que exibindo os artistas que encarnam os personagens ou o diretor da película.

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Há algumas décadas, quando os FX virtuais estavam distantes da realidade do cinema, apelava-se para outras armas quando o objetivo era atrair o público. O cinema nacional, por exemplo, usou e abusou da nudez dos personagens e das temáticas eróticas nos anos 70. Acabou por criar uma ideia que o filme brasileiro era ruim. Foi um momento de crise que sucedeu os anos de ouro dos estúdios Atlândida, Cinédia e Vera Cruz. Os filmes eram ruins, porém, pela lógica do mercado, davam público. Geravam renda. Eram os efeitos especiais brasileiros.

Nos anos seguintes, houve uma significativa melhora na qualidade e na credibilidade do cinema nacional, mas esse, nós sabemos, não mantém cinemas em funcionamento. São necessários os blockbusters americanos, que não se sustentam sem as famigeradas cenas de computador. São cenários, personagens e ações que inundam as telas e fazem as mentes mais tolas acharem que aquilo, sim, é um verdadeiro espetáculo cinematográfico.

Recolham-se e fiquem em casa os Fellinis, Allens, Chaplins, Pasolinis, Tornatores, Bertoluccis, Kubrics, Hitchcoks e Bergmans.

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Seus filmes serão sempre uma aula de como fazer arte, mas ao que parece, fazem parte do passado e hoje são irrelevantes.

Os filmes de hoje são apenas entretenimentos para os olhos, e não chegam a mexer dois neurônios em nossos cérebros, nem faz nos sentir vivos. Isso não é arte. Pelo menos, não a sétima.