O samba, enquanto gênero, nasceu a partir de uma espécie de hibridismo formal, entre diversos outros estilos, a saber: o maxixe, o lundu que constituem o incipiente sistema musical brasileiro, em cuja gênese data-se da segunda metade do século XIX. Tais fatores indicam que o estilo musical foi construído sob o signo da mesclagem entre diversos gêneros, apropriados, por conseguinte, de outros continentes, sobretudo a polca portuguesa e o lundu africano.

Parto do pressuposto de que devemos descrever os fatores dos quais propiciaram a produção, circulação e o consumo do samba. No que diz respeito à origem do samba, é salutar creditar aos outros estilos, senão a paternidade (ou maternidade), como um dos aspectos que influenciaram no seu surgimento e desenvolvimento.

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A evolução estilística do samba foi descrita pelo historiador da música popular brasileira da seguinte maneira:

"Com o passar do tempo, os ouvintes sabiam o que esperar: ritmo 2/4, frases melódicas de oito compassos, acompanhamento de piano, violão, cavaquinho e percussão. Esta, com a afirmação do 'samba do Estácio', a partir dos anos 1930, teve a predominância do surdo, cuíca e tamborim, compondo com o pandeiro o conjunto básico da percussão do samba"

No que diz respeito à circulação musical, cabe ressaltar a criação de aparatos técnicos que garantiam a reprodutibilidade musical. Frederico Fagner, tcheco naturalizado norte-americano, aportou ao Rio de Janeiro, em 1892, com o fonógrafo, dando início a economia política da música, antes notadamente marcada pela naturalidade, ou seja, sem a presença de aparatos técnicos que reproduzem o som.

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O erigir de uma economia política do samba, entretanto, não corresponde a uma modernização econômica do Brasil, marcada por atraso, economia agro-exportadora, com poucas indústrias, longe de ser uma "moderna sociedade capitalista".

A legitimação do samba está associada ao papel social desempenhado pelos mediadores sócio-culturais, a saber: os intelectuais, os artistas, críticos às ingerências culturais estrangeiras, sobretudo, no período pós semana de arte moderna, onde a lógica de construção de uma identidade cultural eminentemente brasileira estava em voga.

Atualmente, o samba, em determinados contextos, é apropriado de forma a gerar uma distinção social baseada numa sociologia do gosto. O gostar de samba pode significar uma acurada escolha musical mais sofisticado frente à suposta degenerescência estética resultante da eclosão de gêneros eclodidos na década de 90, como o pagode, o funk e o sertanejo. Mais que uma discussão acerca do mérito do argumento estético que indica para uma tipologia da cultura, fico com a perspectiva de que o samba, qual o bonde de São Januário, pode seguir seu fluxo, movendo idéias, reoxigenando discursos e, em primeira instância, proporcionar ao receptor o prazer, obviamente, se assim o desejar. #História #Mídia