Em 1945, chegava ao fim a segunda contenda mundial, depois de longos seis anos de sangue derramado. O que restava da Itália, uma das derrotadas no conflito, eram os cacos de um país em profunda crise econômica. Começava, nesses primeiros anos pós-guerra, a fase considerada pelos historiadores como a pior da história do país. Em contrapartida, tais anos sombrios possibilitaram o início do maior período do #Cinema dessa nação. Com o lançamento de "Roma, Cidade Aberta" ("Roma, Città Aperta"), de Roberto Rossellini, estava instaurado o neo-realismo italiano, que revolucionou o fazer cinema na Itália, e, posteriormente, em várias partes do mundo.

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As bases desse movimento cinematográfico surgiram antes do lançamento de "Roma, Cidade Aberta". Durante os anos 30, cineastas já defendiam a ideia de produzir filmes que se aproximassem mais da realidade. No entanto, a Itália era dominada pelo regime fascista do ditador Mussolini, que exterminou qualquer possibilidade de arte que denunciasse as mazelas italianas. O cinema realizado nesse país durante o fascismo representava uma Itália bela, lugar ideal para se viver em família. O discurso moralista desses filmes caiu por terra após a derrota italiana na segunda grande guerra. Imediatamente, os cineastas da época emergiram com o novo cinema italiano, surgido a partir da difícil vida do seu povo.

Diferente de Hollywood, o neo-realismo italiano rompia com as formas convencionais do cinema.

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As gravações em estúdios deram lugar às filmagens nas ruas. Poucos eram os atores profissionais utilizados. A busca pela proximidade do real era o que movia aqueles diretores. Além de Rossellini, dois outros nomes também foram seminais para o movimento. Luchino Visconti, em clássicos como "Obsessão" ("Ossessione") e "A Terra Treme" ("La Terra Trema"), além de Vittorio De Sicca, que em 1948, lançou aquele que é considerado a obra que melhor representa a proposta vanguardista dessa geração: "Ladrões de Bicicleta" ("Ladri de Biciclette").

O movimento seguiu com força até meados dos anos 50, todavia, com a restruturação econômica vivida pela Itália, produções televisivas começaram a ganhar força e os produtores de cinema para competir à altura, passaram a investir em filmes mais comerciais. Porém, as sementes do neo-realismo italiano já haviam sido plantadas, e os frutos começaram a florescer por diversas partes do mundo. Na França, por exemplo, nascia a "Nouvelle Vague", liderada por Jean-Luc Godard e François Truffaut. No Japão, Akira Kurosawa levava a realidade para o mundo dos samurais. Já no Brasil, os reflexos do trio Rossellini/Vicontti/De Sicca se deram em diretores como Glauber Rocha e seus companheiros do "Cinema Novo".

Em 2015, o neo-realismo italiano completa 70 anos e uma série de homenagens deve acontecer em todo o mundo. Nada mais justo do que homenagear aqueles que mostraram ser possível criar um cinema crítico, mas, ainda assim, bastante sensível.