A reconstrução de duas cidades egípcias em proporções gigantescas. Quatro mil figurantes atuando. Figurino riquíssimo em dourado e maquiagem marcante. Reprodução violenta de pragas sofridas pelo povo egípcio. Efeitos especiais espetaculares premiados por recursos em computação digital de altíssimo nível, inclusive o da passagem pelo Mar Vermelho. Todo em formato 3-D, o filme "Êxodo: Deuses e reis" estreou dia 25 p.p., um trabalho de Ridley Scott, tendo como personagem principal o ator galês Christian Bale.

De saída, recebeu crítica, com duas semanas de exibição nos EUA, por ter colocado atores caucasianos em trama que se passou no norte da África e no Oriente Médio, o que, aliás, não pegou bem.

Publicidade
Publicidade

Também teve de diminuir o tempo filmagem de 140 para 74 dias, o que deve ter influído na compreensão de certas passagens do filme, como ainda abordaremos.

Um filme de US$ 160 milhões (cerca de R$ 425 milhões), que não aconteceria não fosse os incentivos fiscais do governo espanhol. Sua magnitude está relacionada com a natureza da história que se desejava contar, notadamente pela a importância dos personagens centrais.

Em sua defesa, Ridley Scott afirma que "Êxodo" devia ser algo faraônico, apresentando um Moisés mais acessível, líder de um exército informal, mesmo assim dotado de uma visão estratégica dos melhores generais (tinha conhecimento e vivência das experiências aprendidas com os egípcios). Cenários foram montados à semelhança das ruelas e casas da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para retratar o gueto hebreu de Mênfis, construídos e montados na Andaluzia.

Publicidade

Para reconstituir fatos históricos, costumes e personagens, Scott estudou o Antigo Testamento, o Alcorão e o Torá, e deparou-se especialmente com Moisés, diz ele, "um homem de extremos, às vezes violento, às vezes um pacifista convicto". E mais: "um nobre, um guerrilheiro, se levarmos em conta a morte dos primogênitos egípcios e as demais pragas, além da ira contra os judeus que idolatravam um símbolo religioso considerado por ele pagão e que foram sumariamente executados". Mas Scott apresentou suas visões pessoais."Êxodo: Deuses e reis" é um filme que retrata, em parte, o mesmo tema a que se assistiu em "Os dez mandamentos", de Cecil B. De Mille, em 1923 e 1956, grande sucesso à época, de um Moisés diferente, protagonizado por Charlton Heston, numa interpretação exagerada, representando um ator que encarnava uma figura de rara performance dos imortais heróis das ficções da época. Entre eles, encarnavam Bem-Hur, El Cid, Michelangelo, Neville... Aliás, quem quiser, hoje (ainda mais se não os viveu à época), conhecer essas figuras, alugue filmes que as retratam: há produções grandiosas, notadamente como a da passagem do povo de Israel pelo Mar Vermelho (recurso de ventilador dividindo recipiente com gelatina representando o mar (em Dez Mandamentos).

Publicidade

Divertida e instrutiva comparação.

Ainda "Êxodo: Deus e reis". Há equívocos no roteiro. Moisés tinha noção de sua origem: fora criado pela sua verdadeira mãe, depois que a irmã, no episódio do cesto no rio, em contato com a princesa egípcia, lhe havia sugerido uma "ama" - a própria mãe - para cuidar da criança. Isso não ficou claro no filme.

Continuamos no próximo artigo. Com muita emoção. #Cinema #Opinião