Em 2015 alguns brasileiros ilustres por seu trabalho nas mais diversas áreas de atuação, se vivos, completariam um século de existência. Mortos, devem ser homenageados, nem que seja pela lembrança de quem ainda está nesse mundo, de certa forma, usufruindo as consequências daquelas existências.

Numa época em que era necessário ser bom cantor para fazer sucesso, poucos nomes chegavam ao estrelato. Um dos que conseguiram chegar lá, estaria completando os cem anos de vida no dia três de outubro. Era o carioca Orlando Garcia da Silva, ou apenas Orlando Silva, o Cantor das Multidões, que faleceu em 1978.

Outro nome de destaque para milhões de brasileiros é o do sacerdote beneditino Dom Marcos Barbosa.

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Esse mineiro, que completaria um século de vida em 12 de setembro, sempre gostou de escrever. Dedicou-se ao estudo do Direito e às Letras Clássicas, não tendo, porém, concluído esse último curso por ter abraçado a vida religiosa, em um Mosteiro beneditino em 1940, onde continuou a escrever e a atuar na área da literatura e da Cultura de forma mais ampla. Mesmo que não saibamos, seus trabalhos atingiram todos nós, pois, foram deles as traduções, para o nosso idioma, dos livros "O Pequeno Príncipe", "O Menino do Dedo Verde" e "Marcelino Pão e Vinho". Esteve à frente de um programa radiofônico, na Rádio Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, de 1959 até 1993, em que lia as crônicas e poesias que escrevia. Em 1980 foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras. Dom Marcos Barbosa foi batizado com o nome de Lauro de Araújo Barbosa e viveu até março de 1997.

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O paulista Gofredo da Silva Teles Junior também é, relativamente, pouco conhecido da população em geral, porém suas ações podem ser sentidas em qualquer aspecto legal de nossa sociedade. Teles Júnior, como é conhecido nos meios jurídicos, é referência nos autos de qualquer processo que envolva as leis e suas interpretações. Esse jurista e advogado foi deputado federal constituinte em 1946 e professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo por 45 anos, saindo, ironicamente, por força de lei, ao ser aposentado compulsoriamente por sua idade, em 1985, ao completar 70 anos. Deixou a docência, porém continuou atuante, e foi um dos mentores do Círculo das Quartas-Feiras, grupo que impetrou o primeiro mandato de segurança coletivo no Brasil e lançou o impeachment do presidente Fernando Collor. Teles Junior faleceu aos 94 anos, ou seja há poucos anos, no mês de junho de 2009.

Outros dois brasileiros que compõem nossa lista lutaram por direitos humanos e ambientais. O pernambucano Francisco Julião, advogado, desde sempre atuando junto aos camponeses e trabalhadores rurais, foi perseguido pelo regime militar nos anos 60 e fugiu do Brasil.

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Voltou quando o Brasil foi redemocratizado e a anistia declarada, junto a Miguel Arraes e Leonel Brizola. Foi um dos fundadores do PSB. Faleceu no México, em 1997.

O outro nome a ser lembrado é o do capixaba Augusto Ruschi. Agrônomo, ecologista e naturalista, foi um dos primeiros a gritar contra o desmatamento da Floresta Amazônica, lutando ferozmente contra grandes empresas que buscavam se instalar em qualquer lugar destruindo o meio-ambiente. Suas paixões eram os beija-flores e as orquídeas. Por seu trabalho no campo foi vítima de malária e esquistossomose, que acabou minando sua saúde e causando sua morte em junho de 1986. É considerado o primeiro grande mártir do movimento ecológico brasileiro.

Lembremos desses brasileiros exemplares. #História