A atriz Maria Della Costa morreu aos 89 anos. Ela estava internada devido a um edema pulmonar. Sem dúvida, foi a maior responsável pelo processo de modernização do #Teatro brasileiro. Foi em 1950 que Maria Della Costa e Sandro Polônio, seu segundo marido, criaram em São Paulo não apenas uma companhia, mas também um teatro de iniciativa própria. Tal criação representou grande contribuição para valorizar e impulsionar muitas carreiras de atores como, por exemplo, Sérgio Brito e Fernanda Montenegro. Todos sabem o que representam esses nomes para o teatro brasileiro.

Outras pessoas importantes para o teatro podem ser lembradas como o teatrólogo Gianni Ratto, trazido da Itália pela visão de Maria Della Costa, já que se tratava de talentoso cenógrafo e que teve uma companhia em que atuaram atores de belíssimas carreiras.

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Gianni Ratto tornou-se inesquecível porque ligado a nossa caridosa atriz.

Foi em 1953, ano em que o casal Sandro e Maria, na Itália, teve contato com Ratto, descoberto com a fama de ser um dos maiores cenógrafos do planeta. Sandro e Maria convidaram-no para vir para o Brasil e ele aceitou. O trabalho dos três resultou na concretização de um projeto de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, o do Teatro Maria Della Costa. Era o ano de 1954, e a peça de estreia foi "O canto da cotovia". O papel de Joana D'Arc coube à própria Maria e ao competente italiano, coube a direção, o cenário e a iluminação.

O prestígio e a fama de Maria de Maria Della Costa atravessaram fronteiras. Também trouxe para o país trechos inéditos de peças teatrais de autores estrangeiros: "A alma boa de Setsuan" e "Depois da queda", respectivamente de Bertolt Brecht e Arthur Miller.

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Atuou também na televisão, como lembram atores que com ela atuaram: "Bodas de Sangue" e "Estúpido Cupido" (Ney Latorraca), por exemplo. Mas sua grande atuação foi na novela "Beto Rockfeller", com Marília Pera e Luís Gustavo, entre outros. Aliás, com Luís Gustavo no papel de um rapaz de conquista fácil, que virava a cabeça de uma senhora presa ao compromisso do casamento. Os diálogos entre os dois eram muito interessantes. Maria fazia papel da mulher casada, com belíssima atuação. Marcou época, pois os tempos e costumes eram outros. E Maria, lindíssima!

Sua participação na televisão foi muito marcante, com atesta, por exemplo, Aracy Cardoso, com quem Maria trabalhou na TV Tupi: "Não era bonitinha não. Era de uma beleza estonteante". Nesta mesma época, Maria estava montando uma pousada em Paraty, cidade que ela muito amava e para a qual contribuiu na sua projeção internacional. Da criação na pousada, em 1970, Maria Della Costa viveu em Paraty até 2012, ano em que retornou para o Rio.

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Lutava com problemas respiratórios e fratura no fêmur. Necessitava de cuidados médicos especiais. Agora a morte a levou, mas sua vida é inesquecível.

O acervo de Maria Della Costa foi doado a um produtor e colecionador, Marcelo Del Cima, que vai, com os de outros artistas, deixá-los expostos ao público em um centro cultural que será aberto no bairro da Glória, no Rio.