Muitos poetas e poetisas no ato da criação de seus versos acabam soando clichês quando o tema em questão é o amor ou os inúmeros sentimentos provocados por este. Florbela Espanca não. Quando escrevia, a poetisa portuguesa se entregava de corpo e alma a esse ato. Talvez por isso, pela sinceridade e veracidade como transcrevia para o papel os amores e as dores que reviravam seu peito, ela conseguiu transformar o que poderia soar clichê, em pura, e irresistível, poesia. E o amor é mesmo peculiar em Florbela. Ele é intenso e exacerbado. Era como se ela precisasse escrever para não ficar louca, ou para não morrer, seja de felicidade, ou de muita tristeza.

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Os primeiros versos foram escritos quando ela tinha apenas nove anos, em sua terra natal Vila Viçosa. Segundo estudiosos, esse começo se deu ainda de forma tímida, mas já se podia evidenciar um estilo lírico próprio, que ganhou formas mais contundentes quando, na adolescência, Florbela foi estudar em Évora, cidade onde, mais tarde, concluiu também os estudos em Letras. Ainda em relação ao estilo lírico da poetisa, tratava-se de sonetos avassaladores para uma época em que poucas mulheres se arriscavam a expor seus sentimentos e angústias. Os versos eram carregados de paixões, erotismos, mágoas, saudades, que poderiam ser direcionadas para um amante, ou para algum ente querido, como o seu irmão, Apeles, extremamente amado por Florbela.

Extremo, o amor em Florbela Espanca era mesmo extremo.

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Em apenas 36 anos de vida ela se casou por três vezes. Amou intensamente todos eles, e sofreu, ainda mais, a cada término. Amar para Florbela era se entregar, caso contrário, o verbo não se aplicava. Amar era correr riscos, e não correr esses riscos era como estar morta. Amar era sinônimo de viver. Devido a esse grande amor que a invadia, encontrou na poesia uma forma de descarregar toda essa grandiosidade. Daí nasceram obras primas como "Livro de Mágoas" (1919) e "Livro de Sóror Saudade" (1923), únicos que conseguiu lançar em vida. Por ironia, a poetisa que amou feito louca desenvolveu um tipo de neurose aos 24 anos, que se agravou pouco tempo depois com a morte do seu amado irmão em um trágico acidente aéreo. Florbela dedicou a ele o livro de contos "As Máscaras do Destino", publicado postumamente em 1931.

Com a morte do irmão e o início das crises do seu terceiro casamento, Florbela teve a neurose intensificada, iniciando uma série de tentativas de suicídio. Logo em seguida, foi diagnosticada com um edema pulmonar, o que levou a poetisa a uma depressão profunda, culminando em seu suicídio no dia 8 de dezembro de 1930, data na qual completou 36 anos.

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Chegava ao fim a intensa vida de uma das maiores poetisas de todos os séculos, mas iniciava uma série de publicações póstumas que a eternizou, definitivamente, no universo da #Literatura universal. Exacerbado ou não, o amor em Florbela Espanca foi, acima de tudo, real, e, como em poucos momentos na história da poesia lírica ocidental, não era, e continua não sendo, nada clichê. #Livros