Lourenço Mutarelli, um dos maiores autores de histórias em quadrinhos brasileiro. Consagrado pela trilogia de quatro Diomedes, que retrata um detetive que vai em busca do paradeiro do mágico Enigmo. Lourenço mostra o que é capaz de fazer apenas com uma nanquim e um papel em branco. Cenas que aparentemente não teriam grande importância, acabam revelando um cenário surpreendente pelas mãos do quadrinista.

Outro livro essencial para conhecer a arte de Mutarelli é Mundo PET, publicado pela editora Devir. O livro reúne várias histórias que o quadrinista produzia para o site Cybercomix. Um trabalho experimental, que carrega variações de técnicas do artista.

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Diferente de sua obra-prima Diomedes, Mundo PET traz histórias coloridas.

Foi só em 2002 que Mutarelli resolveu experimentar ainda mais, saiu dos quadrinhos e fez um romance. O Cheiro do Ralo, publicado inicialmente pela Devir, teve sua última edição feita pela Companhia das Letras. Mesmo saindo da sua zona de conforto, pode-se perceber a genialidade florando do autor em cada linha do livro. Um proprietário de uma loja de quinquilharias obcecado pela bunda da garçonete do lugar onde almoça todo dia. E tem ainda o cheiro, o cheiro do maldito ralo que atormenta a vida do personagem. Loureço Mutarelli em seu primeiro romance já entrou para a lista dos escritores contemporâneos que merecem ser lidos. Depois, ainda vieram outros livros: Jesus Kid, Natimorto, A arte de produzir efeito sem causa e outros mais.

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Cinco anos depois, o livro foi parar no cinema com a participação de Selton Mello no lugar do protagonista da história. Um #Filme feito com 315 mil reais (declarado pouco para a produção cinematográfica) tem uma produção admirável e um elenco excelente. Lourenço experimenta mais uma vez e vira ator, é ele quem interpreta o segurança do personagem vivido por Selton Mello

Sobra sempre aquela dúvida depois que o filme é feito "mas o filme ficou melhor que o livro?", infelizmente ou felizmente, achei o livro melhor, como na maioria das vezes. Palavra acaba sempre ferindo mais, tem mais força que a imagem, a imaginação de cada um acaba sendo um instrumento insuperável. #Literatura