O Dicionário de Autores da Literatura Dramática do Rio Grande do Sul é um livro único, recentemente lançado pelo pesquisador Antenor Fischer, 55 anos. O trabalho, desenvolvido pacientemente ao longo dos anos é um verdadeiro resgate à memória do teatro do Estado.

Composto de 912 verbetes de autores registrados desde 1810 aos tempos atuais, traz autores teatrais que constituíram toda a trajetória do teatro no Rio Grande do Sul. Nesta obra foram incluídos mesmo autores que produziram apenas um texto. E também constam outros cujas peças não foram encenadas ou publicadas. Os escritores de peças são naturais do Rio Grande do Sul, mas desenvolveram em outros estados sua produção.

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Também estão presentes autores de outros lugares, mas que residiram em solo gaúcho.

Esse dicionário único no estado exigiu um árduo trabalho de consulta e pesquisa. Com tantos verbetes, foi necessário percorrer minuciosamente enciclopédias, obras de historiadores, peças que foram publicadas e estão em acervos de bibliotecas. O trabalho deu atenção para manuscritos. Alguns foram localizados no valioso acervo do Teatro de Arena de Porto Alegre.

Cada verbete do Dicionário mostra informações sobre o autor, indica sua formação escolar bem como profissional, lista completa toda sua publicação dramática. E para completar, ao final a localização da peça é informada.

O triste desta iniciativa cultural de grande mérito é o autor ter perambulado por várias editoras, sem sucesso, pois não houve interesse em publicar o livro.

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Para tal, surgiu a editora Fischer Press, de propriedade do próprio autor. Ele então imprimiu 100 exemplares, sendo que restam 70 para comercialização.

A história da publicação do precioso dicionário de resgate do teatro gaúcho é bem um retrato amargo de como é difícil fazer e difundir cultura no Brasil. Essas barreiras crescem ainda mais quando o fato ocorre fora do centro do país. Só mesmo a persistência de verdadeiros guerreiros como esse autor gaúcho podem garantir a existência de publicações como esse dicionário. Realidade que hoje caracteriza um país onde a cultura não tem prioridade. #Livros