Os praticantes do BDSM assistem ao deslumbramento que a trilogia 50 tons de cinza tem causado entre preocupados e assustados. Esse temor foi confirmado após a leitura da matéria de uma blogueira que foi convidada para a pré-estreia e deu suas impressões sobre o filme. A preocupação está diretamente ligada à segurança de mulheres mal informadas a respeito do tema que o livro tenta retratar.

Diante da carência afetiva que afeta principalmente as mulheres, muitos praticantes tentam descobrir entre tantos perfis fakes que infestam os grupos e comunidades BDSMers quem é quem e quem é, de fato, um praticante, um Dominador responsável.

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O livro provocou a ida de mulheres com casamentos ameaçados pela rotina a sex shops do país inteiro, em busca de apimentar a relação. Bom para os donos dos estabelecimentos que mantiveram suas vendas aquecidas. Com relação ao livro e à descrição feita do Quarto Vermelho, todos são unânimes ao afirmar que o lugar é o sonho de qualquer casal que vive uma relação sadomasoquista ou D/s (Dominação/submissão).

Se por um lado o livro conseguiu reacender a chama de muitas relações falidas, por outro provocou um verdadeiro inferno para aqueles que querem manter a casa em ordem, vivendo um estilo de vida que é para poucos. E é justamente nesse sentido que chega a preocupação. Por causa da carência feminina e a descoberta do sadomasoquismo por aproveitadores ou simplesmente homens que gostam de bater e explorar mulheres pensando que o BDSM é uma terra de ninguém, o medo é que isso acabe em tragédia.

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O livro é um romance. Na vida real, a experiência de viver o BDSM verdadeiro está longe do que o livro tenta retratar. Os praticantes sempre se preocupam com tudo o que acontece no local, e os acontecimentos devem seguir três letras mágicas: SSC - São, Seguro e Consensual. Além disso, os praticantes utilizam uma palavra, cor, sinal, gesto, que representa a segurança do dominado - chamadas de submissas, escravas -, é a famosa safe.

Os praticante sérios e verdadeiros não seguem um manual ou uma bíblia escrita por alguém, mas sabem, por causa do bom senso, o que deve e o que não deve acontecer no meio.

Aos Dominantes, cabe proteger, cuidar, alimentar o coração, a alma e autoestima de sua submissa. À submissa, cabe honrar, dedicar-se, ser disciplinada, seguir e servir ao Dominante. Quando a submissa possui um Dono, ela presta contas a ele de tudo o que vai fazer. Ela jamais será proibida de trabalhar, pois a realidade é bem diferente da ficção. Esse Dono não pagará suas contas e não dará a ela um cartão de crédito para gastar em compras.

Dominadores e submissas vivem uma troca pautada na sinceridade, cumplicidade, verdade, confiança e muito respeito. As pessoas precisam ter em mente que o BDSM necessita de muito tempo de estudo para que possa ser praticado e fazer uso de todo o universo de objetos, sobre como manipulá-los, além de conhecer muito da anatomia feminina. #Entretenimento #Cinema