A série Agente Carter, criada como o mid-season de Agents of Shield, trouxe vários elementos novos e criativos, além de considerável ousadia. O que poderia ser apenas mais um programa aproveitando a moda de filmes de super-heróis, demonstrou enorme potencial e superou barreiras.

A primeira é pelo fato de ter realmente uma mulher como protagonista. O universo dos super-heróis foi sempre acusado de machismo e de colocar as mulheres apenas como interesses amorosos ou objetos sexuais. Vale lembrar, que dos diversos filmes do gênero, nenhum tem uma personagem principal do sexo feminino, a única exceção relativamente recente foi o muito criticado Mulher-Gato (2004).

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Embora estejam previstos filmes da Mulher-Maravilha e da Capitã Marvel, além de uma série televisiva da Supergirl, no momento, a Agente Carter é a única a romper o 'Clube do Bolinha' dos super-heróis.

A segunda inovação para a Marvel é o fato de investir em personagens um pouco afastados do fantástico, o que pode render produções bem mais diversificadas para o estúdio. Embora a série esteja incluída no universo cinematográfico da Marvel, onde existem seres poderosos como Thor e Capitão América, a pegada da série é muito mais 'pé-no-chão' e pode credenciar a criação de programas e filmes de outros gêneros diferentes da ação e aventura.

A caracterização do período imediatamente após a II Guerra Mundial é muito bem executada. E não apenas no vestuário ou cenários, mas principalmente na luta de Peggy Carter, vivida por Hayley Atwell para conseguir leva a sério como agente diante dos diversos homens que a veem como uma pin-up de luxo ou alguém a ser manipulada.

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E, por vergonhoso que pareça isto é parece tão real hoje quanto foi em 1946.

Todavia, estas questões não estrangulam a série, que mostra a espionagem com aventura de maneira bastante leve e descontraída. Para os fãs dos quadrinhos há diversos bônus inclusos, desde a já obrigatória participação especial de Stan Lee, a referências e personagens que pipocam e poderão ser aproveitadas e aprofundadas em vindouras produções. Espera-se que assim como a espiã Carter consegue seu lugar como heroína, as mulheres obtenham o destaque que merecem, inclusive nas séries sobre super-heróis. #Televisão #Seriados #Opinião