A Academia sempre se impressionou e premiou filmes baseados em histórias reais e desde o início dos anos 90 toda entrega do Oscar praticamente conta com ao menos um representante do gênero. Quando o protagonista consegue encarnar o biografado então, a indicação é praticamente garantida. Como exemplo recente temos Argo, vencedor em 2013.

Na entrega do Oscar, prevista para o domingo próximo (22), as principais categorias foram praticamente tomadas por cinebiografias. Das oito películas indicadas a melhor filme, nada menos que cinco tiveram sua inspiração na realidade. Entre os concorrentes a melhor ator, apenas um vem de um roteiro totalmente ficcional.

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Desde A Teoria de Tudo que nos mostra como Stephen Hawkins lidou com sua doença degenerativa ao mesmo tempo em que revolucionava a física teórica até O Jogo da Imitação, onde o astro do momento Benedict Cumberbatch vive o matemático Alan Tuning que se torna uma figura importante na Segunda Guerra Mundial. Também temos Martin Luther King retratado em Selma e o soldado Chris Kyle contando suas experiências de guerra em Sniper Americano.

Não é possível afirmar se isto ocorre devido a um modismo, assim como foram os filmes de gangster e musicais em suas épocas ou se há uma crise entre os roteiristas, que não conseguem emplacar novas histórias entre as produções para o grande público. Nos últimos anos, os roteiros mais instigantes parecem estar sendo filmados na tela pequena, vide Breaking Bad, House M.D.

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e House of Cards. Enquanto o cinema, principalmente o norte-americano, parece mais voltado ao espetáculo visual, vide Avatar, Interestelar e outros cujo visual é muito mais empolgante que as histórias. Com isso as histórias não ficcionais parecem ocupar um nicho dramático, especialmente nos votos da Academia.

Embora se questione tanto a verossimilhança dos roteiros, (polêmica que já existia quando fizeram Lawrence da Arábia), até a quantidade destes filmes a serem premiados, em todos os casos, em 2015, teremos o Oscar em busca da vida real.

Embora distante das premiações hollywoodianas, as produções brasileiras acompanham o filão e trazem diversas histórias. Algumas polêmicas, como o recente Tim Maia, que mostra a vida alucinada do cantor e Não Pare na Pista, que retratou a vida de Paulo Coelho, trouxeram as cinebiografias paras as telas. Desde que 2 Filhos de Francisco levaram mais de 4,7 milhões de pessoas aos cinemas, o gênero mostrou ser bem aclimatado em terras brasileiras #Opinião