Pedro Reyes, mexicano, 42 anos. Por suas mãos já passaram milhares de armas: metralhadoras, pistolas, fuzis, escopetas. Reyes é implacável: "Acredito no poder da arte para produzir mudanças". Ele é o mentor de "Disarm", um projeto artístico que transformou armas de fogo em #Música. Ao todo, são oito instrumentos musicais mecânicos, totalmente programados e operados por computador.

Reincidente

A primeira vez que Reyes pegou em uma arma foi em 2008, quando morava em Cualicán, uma das cidades mais violentas do México. Com o projeto "Palas por Pistolas" (Pás por Pistolas), fundiu 1.527 armas recebidas de uma campanha de desarmamento e produziu exatamente 1.527 pás, que foram usadas para plantar árvores na cidade.

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Era uma mensagem de como um agente de morte poderia se tornar um agente de vida. Posteriormente, as pás foram usadas no Canadá, Estados Unidos e França.

Em 2012, um funcionário do governo mexicano entrou em contato com Reyes, oferecendo cerca de 6.700 armas que haviam sido apreendidas em Ciudad Juarez. As armas, oriundas do narcotráfico, seriam destruídas e enterradas, como é o costume fazer, mas Reyes aceitou o carregamento. Surgiu "Imagine", um projeto que reuniu seis músicos e produziu 50 instrumentos de corda, sopro e percussão. O projeto, iniciado no México, foi apresentado também na Coreia do Sul, Turquia e Inglaterra.

"Disarm" é a segunda geração de instrumentos criados com as armas cedidas pelo governo mexicano. Foi desenvolvido em 2013, em parceria com um estúdio de mídia da Cidade do México.

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A diferença é que agora os instrumentos são totalmente automatizados e podem correr o mundo mais facilmente para levar a mensagem de paz proposta por Reyes, que não pretende parar tão cedo: "Bem, se alguém me desse um tanque de guerra, eu poderia convertê-lo em uma espécie de instrumento móvel. Acho que esse poderia ser o próximo passo", declarou.

"Disarm" no Brasil

"Disarm" está em exposição no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília, até 20 de abril. Faz parte da mostra Ciclo: Criar com o que Temos. Saiba mais aqui. #Inovação