É preciso haver uma mudança drástica na concepção de #Cinema por parte da maioria dos brasileiros. A dificuldade que o filme nacional encontra para alcançar grandes bilheterias nasce da visão americanizada, com a qual muitos de nós, tupiniquins, ainda enxergamos o cinema. Acostumados às narrativas convencionais hollywoodianas, muitos brasileiros estranham as produções locais.

Por conta disso, ainda é bastante comum ouvir absurdos, como: “cinema brasileiro só tem sexo” ou “cinema brasileiro é ruim porque não tem efeitos especiais”. Para piorar a situação, os filmes nacionais com melhores arrecadações de bilheterias são comédias globais, pseudo-hollywodianas, que não contribuem em nada para a criação de uma cinematografia característica do país, afastando, ainda mais, o público brasileiro daqueles que fazem, de fato, o cinema brasileiro.

Definitivamente, 2014 evidenciou que o problema principal do cinema nacional são os obstáculos até o público, pois, filme bom nós temos, e muitos. Um dos belos representantes da nova safra é o longa-metragem “Ela Volta na Quinta”, dirigido por André Novais. O filme retrata a simplicidade da vida cotidiana, e aponta para um caminho menos barulhento. Ao transformar sua família em atores, o cineasta sugere um cinema brasileiro mais brasileiro.

Assim como o filme de Novais, outras boas produções independentes são o que de melhor se pode encontrar na cinematografia desse país. Filmes como: “Hoje eu quero voltar sozinho” (Daniel Ribeiro), “Praia do Futuro” (Karin Aïnouz), “A História da Eternidade” (Camilo Cavalcanti), “Homem Comum” (Carlos Nader), dentre muitos outros, agregam ao cinema nacional reflexões sobre problemas facilmente encontrados por aqui: homofobia, conflitos sociais, machismo, desilusões, corrupção, etc.

Mesmo com toda a dificuldade de realização e exibição, são esses grandes filmes que fazem o cinema nacional ser ainda nacional. No entanto, o grande vilão destes é, sem dúvida, a mentalidade do grande público brasileiro, que, de fato, não compreende a linguagem cinematográfica local, muito devido a forte influência que sofre do cinema hollywoodiano e do cinema hollywoodiano travestido de brasileiro.

É preciso democratizar as distribuições, dando mais espaços para o cinema independente, além, é claro, de criar meios para que o brasileiro assista mais aos filmes verdadeiramente brasileiros. Só assim, vamos iniciar a mudança necessária na concepção de cinema de quem assiste filme no Brasil.