Se alguém de fora do mundo nerd olhar a atual produção de super-heróis, há de pensar que vivemos em uma era de ouro. Afinal, Hollywood se rendeu ao gênero, e a cada, ano são lançados, no mínimo cinco grandes filmes, estrelados por personagens em trajes colantes multicoloridos; um adulto comprar quadrinhos e desfilar por aí com uma camiseta com o Demolidor estampado tornou-se socialmente aceito e o que antes era um nicho ridicularizado tornou-se o padrão da cultura popular. Isso apenas aparentemente.

Acompanhando os lançamentos das grandes editoras de quadrinhos norte-americanas, vemos que a matriz do gênero "super-herói" patina em um pântano da falta de criatividade, da auto-referência elogiosa e da produção mecânica em série das histórias.

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Um exemplo disto são as vindouras megassagas da Marvel e da DC, Convergence e Secret Wars. Em ambos os casos, de acordo com as prévias já liberadas, versões alternativas dos personagens se digladiam em meio à confusões e paradoxos que a produção ininterrupta de histórias impõem em ambos os universos.

Mais que a coincidência dos plots, as histórias mostram as editoras perdidas no momento que todos os holofotes estão sobre elas. Ambas são versões recauchutadas de histórias dos anos oitenta, quando os quadrinhos deram seu passo mais firme em direção à respeitabilidade com Watchmen e Cavaleiro das Trevas e primeiras Guerras Secretas e Crise nas Infinitas Terras. Aparentemente, Marvel e DC estão tão preocupadas em tornar seus gibis as bases para futuros filmes para o grande público com o preço de conter seus autores, os obrigando a contar as mesmas histórias já seguras e aceitas.

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Com isto, o leitor de quadrinhos fica desencorajado em seguir as revistas, pois sabe que já as leu em versões anteriores e possivelmente melhores e não prende o novo público vindo das versões cinematográficas.

Consequentemente, as vendas continuam baixando mês a mês, com pequenas altas causadas por algum evento bombástico ou capas cromadas. Isto leva à levas de capas alternativas e sagas "que vão mudar tudo" se sucedendo amarradas com fiapos narrativos. Talvez quando elas se lembrarem que a razão destes personagens terem se tornado marcas multimilionárias foram apenas boas histórias contadas de maneira honesta e retornarem a este básico, nós os leitores recuperaremos o prazer de lê-las e o público leigo finalmente entenda o porque destas " revistinhas" fazerem tanto sucesso entre trintões barbados. #Entretenimento #Opinião