O que Beatles, Rolling Stones, hippies, tropicalismo, maio de 68, e feminismo têm em comum? Olhando mais de perto, todos têm as suas peculiaridades, mas se fizermos uma árvore genealógica dos principais questionamentos de todos eles, vamos chegar a uma turma de São Francisco (Califórnia, EUA), que a partir do final da década de 1940, começou a "descontruir" o mundo. Trata-se de um grupo de jovens escritores que ficaram conhecidos na história como Geração Beat.

Os escritores beats são os pais da contracultura ocidental, que eclodiu nos anos 1950-1960. Em períodos anteriores, existiram personagens que também romperam com o modo padrão de comportamento, como foi o caso, por exemplo, do poeta francês Arthur Rimbaud. Todavia, dessa vez não se tratava de um poeta rebelde, tratava-se de uma geração de jovens, cheios de coragem, que romperam com os ideais impostos por seus pais e viveram suas vidas sob suas próprias "leis".

Os principais integrantes do movimento foram: Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs. As obras de destaques são: "Uivo" (Ginsberg), "O Almoço Nu" (Burroughs) e "On The Road" (Kerouac). Cada história reflete suas mentes libertarias e a ânsia por uma vida menos capitalista, sem culpa com os prazeres da vida. A paixão pela estrada foi notável nesses escritores. "On The Road" é o registro de uma viagem feita por Jack Kerouac e o amigo Neal Cassady, no final dos anos 40. Eles cruzaram os Estados Unidos, regados a jazz, bebidas e sexo.

A explosão da contracultura e o resgate dos beats

A partir dos anos 50, gerações surgiram com ideais inspirados nos beats. Os primeiros foram os beatniks (junção das palavras beats e sputnik, satélite soviético. O nome foi dado de forma pejorativa pela imprensa dos EUA, pois os novos rebeldes se inspiravam nos beats e no comunismo). Em seguida, nos anos 60, vieram os hippies. Eles também construíram seu próprio estilo de vida. A influência no campo das artes foi outro fato marcante. Bob Dylan buscou no movimento as inspirações para fazer sua revolução no rock, influenciando Beatles e Rolling Stones.

Nos anos seguintes, outros movimentos também refletiram os ideais beats sob a bandeira da contracultura: psicodelismo, punk, feminismo, movimentos em favor dos direitos dos negros e dos homossexuais, movimentos estudantis e a luta contra as ditaduras militares na América Latina. Todos esses questionamentos foram possíveis porque um dia jovens escritores tiveram a coragem de enfrentar seus antecessores, causando uma revolução jamais sucumbida pela história.

Isso pode explicar o fato dos beats estarem cada vez mais "populares" para os jovens leitores. Seus #Livros estão ganhando o devido reconhecimento e seus integrantes hoje são ícones cults da moçada intelectualizada. Se quando Kerouac e seus amigos surgiram foram subestimados como "marginais", agora soam como "super stars" da #Literatura. "On The Road", adaptado para o cinema em 2012, virou o tesouro valioso dessa importante geração, pioneira de quase todos os nossos questionamentos sociais e existenciais.