Um dos aspectos impressionantes em A Revolução dos Bichos, do escritor britânico George Orwell, é a atualidade da obra. Lançado em 1945, o livro completa 70 anos em 2015, mas poderia facilmente ser confundido com uma obra escrita esse ano. Durante o desenrolar da narrativa, o leitor percebe as analogias críticas realizadas pelo autor, que utiliza os bichos de uma fazenda para ilustrar a origem de um sistema politico totalitário. Se os porcos representam o governo, os outros bichos representam a nós, o povo, que permanece sem voz e que apenas trabalha e trabalha e trabalha, sem sair do lugar.

Assim como na vida real, vez por outra no livro de Orwell um bicho reclama, questiona algo errado que não condiz com os mandamentos estabelecidos anteriormente para manter o bem comum a todos na fazenda.

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Entretanto, o que sempre acontece depois de cada queixa? Um cão ataca. Isso te lembra algo? Basta ir às ruas reclamar do governo que logo você verá esses "cães", com capacetes e armas, sedentos para te aniquilar, pelo bem da ordem e do progresso nacional. Ler A Revolução dos Bichos é se reconhecer inútil dentro de um regime que nos amordaça e nos exclui. Um sistema que nos suga e depois nos joga na vala, da mesma forma como o homem se desfaz de um bicho morto.

Durante a Guerra Fria, que dividiu o mundo em capitalista e socialista, logo após o término da segunda guerra mundial, a obra virou uma arma poderosa usada pelos Estados Unidos para combater os avanços da União Soviética e do socialismo/comunismo pelo mundo. A figura do porco Napoleão foi imediatamente ligada à imagem de Stálin, ditador russo que assumiu o comando soviético após a morte de Lênin, capaz de mandar matar sem piedade, como fez com seu próprio amigo e companheiro de revolução, Trótsky, figura associada ao do porco Bola de Neve, que foge da fazenda para salvar a própria vida, logo após o ex-companheiro ter colocado sua cabeça a prêmio para os outros bichos do lugar.

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A obra de George Orwell continua sendo um soco no estômago, e não apenas no dos políticos, mas também no seu, que se deixa ser governado por pessoas corruptas e gananciosas. Mas ao final de tudo, e o que não deixa de ser um mérito do autor, é a sensação de incapacidade que toma o leitor ao fechar a última página do livro. O fim da leitura de A Revolução dos Bichos gera a necessidade de destruir o governo que nos oprime e mata a nossa gente. Mas aí a gente lembra dos cães, que irão saltar aos nossos pescoços para nos dilacerar, sem dar a mínima para a nossa opinião. #Livros #Literatura