A mídia generalizada, na ausência de uma grande catástrofe detectada, jogou num ringue eletrônico dois pesos pesados da nossa #Música brasileira. Roberto Carlos e Tim Maia. Mas para o desapontamento de todos, eles não querem brigar. Se o quisessem, o teriam feito quando os dois ocupavam o mesmo plano de vida, visto que oportunidades não lhes faltaram. Inclusive, quando em 1985 o próprio Roberto Carlos se dirigiu à PolyGram para convidar Tim para o seu especial de fim de ano. Tim Maia aceitou na hora - e, não faltou! A canção Pede a Ela (repertório de Tim) foi a escolhida que dividiram no palco.

Tudo começou com o filme Tim Maia, que traz uma cena carimbada de polêmica.  Infelizmente, até agora não vi ninguém tratar desse assunto com imparcialidade ou de forma racional.

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A cena narra um episódio da década de sessenta, em que Tim Maia vai pedir uma força a Roberto Carlos, na qual Roberto o teria humilhado. Embora o Roberto Carlos de hoje negue ter conhecimento do ocorrido, a cena é descrita em sua biografia não autorizada, Roberto Carlos em Detalhes (do jornalista Paulo Sérgio Araújo) e na biografia de Tim Maia (Vale Tudo), escrita por Nelson Motta - aliás, fonte principal do roteiro do filme Tim Maia.

O tremendão, Erasmo Carlos, também não foi poupado dos microfones e respondeu à imprensa que não acreditava que isso tivesse acontecido. Eu, particularmente, não duvido; ou melhor, eu acredito que tenha acontecido, mas acho que vale uma leitura mais ampla para considerar algumas informações bastante relevantes.

Quando a cena aconteceu, em pleno fervor dos anos sessenta, Roberto Carlos era um ídolo inquestionável da juventude.

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Já gravara Quero Que Vá Tudo Pro Inferno e a Jovem Guarda era um estouro. Tim Maia vinha dos Estados Unidos, de onde foi deportado, após ser preso. Tim Maia era conhecido por Tião Maconheiro, tinha fama de ser barra pesada, e um cara absolutamente irresponsável. A equipe de Roberto temia a aproximação de Tim. Ninguém questionava o seu talento, mas infelizmente ele realmente causava muitos problemas - sobretudo a si próprio.

Acho normal Roberto evitar essa aproximação. Podia ser prejudicial à sua carreira, inclusive: se ele indicasse Tim, o levasse para estúdio e Tim não quisesse nada com nada, como tinha provado até ali. Ambos cresceram juntos na Tijuca, e fizeram parte do mesmo grupo em 1957. Em 1959, quando o grupo acabou, Roberto foi cuidar de sua carreira. E Tim? Vale lembrar, que apesar do ocorrido, Roberto Carlos gravou sim em 1968 a canção Não Vou Ficar, de Tim Maia, o que aliás o ajudou bastante: quem conhecia o síndico antes dessa música?

Evidente Roberto não precisaria ter feito aquilo.

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mas tratava-se de jovens, em início de carreira, o sucesso à flor da pele em um, o aparente fracasso em volta do outro... Quantas histórias como esta, ou talvez até piores não ocorreram sem essa repercussão toda? O próprio Roberto poderia ter amenizado tudo, dizendo a verdade: “Éramos jovens, eu temia pela postura do Tim” etc, enfim. Mas essa pretensão de apresentar um passado perfeito e, dessa forma, desumano, o deixa mais vulnerável ainda.

Não podemos, através disso, desvalorizar cinco décadas e meia de carreira. Roberto Carlos sempre cuidou de sua carreira, coisa que Tim Maia infelizmente nem sempre fez. Tim era um monstro da nossa música, indiscutivelmente. O que lamentamos, na verdade, é que ele poderia ter sido muito mais - inclusive para ele próprio, se não tivesse se envolvido tanto com drogas, polícia, e falcatruas. Assim como o 'dito rei', também poderia ser bem mais diante de seu público, assumindo que é uma pessoa comum, deixando para trás a sua cumplicidade com censura e a sua eterna pretensão de ser o cara politicamente correto que, de fato, nunca foi. No mais, a canção de Tim Maia, Não Vou Ficar, eternizada na voz de Roberto Carlos, vem a nos prova que a soma de dois grandes talentos só enriquece a cultura de quem ouve, e a história da cultura em nosso país. #Famosos #Opinião