A artista plástica Tomie Ohtake morreu hoje (12) em São Paulo. A artista estava internada no hospital Sírio Libanês há mais de uma semana, pois estava com pneumonia. Desde terça-feira (10), ela respirava com ajuda de aparelhos, após aspirar líquido gástrico e sofrer parada cardíaca. Ohtake tinha 101 anos e era um dos nomes mais relevantes no cenário da história da arte do país. Ela era conhecida como a "grande dama da pintura do Brasil".

Ela deu nome ao Instituto Tomie Ohtake, espaço que se firmou nos últimos anos entre o público paulistano ao trazer mostras concorridas e renomadas, como exposição da artista japonesa contemporânea Yayoi Kusama e a mostra com obras do pintor surrealista Salvador Dalí.

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Tomie terá o corpo velado no próprio instituto sexta-feira (13), das 8h às 14h, localizado em Pinheiros, zona oeste da cidade, próximo à estação de metrô Faria Lima (Linha 4 - Amarela). Também sexta-feira, ela será cremada, mas a cerimônia será fechada apenas para familiares e amigos. 

Tomie Ohtake nasceu em Quioto, cidade do Japão, mas mora em São Paulo desde 1936. Na década de 50, a artista começou a pintar e se encontrou no estilo figurativo que fazia sucesso na época. Ela fazia parte do grupo Seibi, que reunia artistas imigrantes e tentavam fugir da inflexibilidade da arte acadêmica, sem deixar de ser fiel aos gêneros mais clássicos da pintura.

A artista permaneceu ativa por seis décadas e criou um estilo só seu, sempre brincando com a relação entre cores e formas. O seu sucesso chegou na década de 60, quando começou a trilhar seu caminho no abstracionismo geométrico.

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Críticos de arte afirmam que algumas de suas obras têm semelhanças com o expressionista abstrato Mark Rothko, artista dos Estados Unidos.

Nos últimos anos, Tomie ainda trabalhava em seu ateliê, que fazia parte de uma casa projetada por um de seus filhos, Ruy Ohtake. A artista já afirmou em entrevista que não esperava viver até os cem anos, mas que as décadas passaram sem que ela sentisse. E também que fica feliz em poder ter trabalhado e continuado pintando até hoje.