Vi Clara Nunes na Portela. Isso aconteceu na primeira vez que estive visitando o Rio de Janeiro, em 1972. Ficaram lembranças do apartamento na Rua Djalma Ourique em Copacabana: o centro histórico da cidade, as praias da zona Sul, a irreverência natural do povo carioca e claro, ir ao Maracanã ver um jogo de futebol.

E tinha a Portela. Escola que eu admirava, e pela qual torcia (hoje ainda é assim). Em um sábado à noite fui ao Mourisco, em Botafogo, para ver um ensaio da tradicional entidade carnavalesca do Rio, tal como é a estação Primeira de Mangueira. A surpresa foi imensa e o fascínio maior quando me deparei com aquela verdadeira deusa personificada em forma de mulher, dançando em cima de uma mesa.

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Sim, era ela, a mineira Clara Nunes, que já fazia sucesso com a gravação de Ilu Ayê (Terra da Vida), o samba enredo da Portela. Uma mulher muito bonita, sambando com muita categoria. Cercada por seguranças, ela era assediada por muitos admiradores, todos tentavam dançar com ela, mas logo eram retirados dali. Fiquei um bom tempo olhando para Clara como se fosse um sonho. Ela efetivamente permanece até hoje comigo, fazendo parte de tantas lembranças boas que o Rio de Janeiro me proporcionou.

Uma mineira chamada Clara

Clara Nunes era natural de Paraopeba, foi das maiores intérpretes do país. Clara destacava-se por ser pesquisadora da #Música popular brasileira, dando especial atenção para seus ritmos e folclore. Converteu-se à umbanda e dedicou-se também a pesquisar sobre a religião afro-brasileira, visitando a África, representando o Brasil.

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Gravou várias músicas consideradas com influência dos chamados pontos de umbanda, todas com grande sucesso e muito apreciadas pelo povo.

Outra grande paixão da mineira Clara foi a Portela, da qual gravou vários sambas enredo. Dedicada à carreira e sempre procurando ampliar e melhorar seu repertório, Clara Nunes obteve um marco histórico nunca antes alcançado por uma cantora brasileira, uma façanha para a época: Quando vendeu mais de 100 mil cópias, pondo fim a um antigo tabu a respeito das cantoras brasileiras de que elas não vendiam discos em grande quantidade. #Famosos